
O turismo religioso em Santa Maria está próximo de ganhar um atrativo relevante: a beatificação do diácono João Luiz Pozzobon, uma possibilidade concreta após mais de 30 anos do início do processo no Vaticano, em 1994. Hoje já considerado venerável pela Igreja Católica, o homem que peregrinava com uma imagem de Nossa Senhora, evangelizando a população local, depende do reconhecimento de algum milagre para ser o mais novo santo brasileiro – e o primeiro gaúcho.
Nascido em 1904, em São João do Polêsine, e falecido em 1985, Pozzobon teve uma vida de longa peregrinação. Por seus cálculos, ele percorreu a pé 140 mil quilômetros (cerca de três voltas e meia na Terra) carregando nos ombros a imagem da Mãe, Rainha e Vencedora Três Vezes Admirável de Schoenstatt, que pesava 11 quilos.
A trajetória começou em 1950. Partindo do Santuário Tabor, João Pozzobon deu início à Campanha da Mãe Peregrina de Schoenstatt, em sua missão de levar a fé a famílias, escolas, presídios e hospitais da região, sempre com a imagem nos braços.
Nesses 35 anos de pregação e de fé, Pozzobon deixou alguns milagres pendentes de comprovação, que estão em análise no Vaticano. Os relatos falam de uma menina cega que voltou a enxergar, por exemplo, e de um rapaz que sofreu um grave acidente de moto, mas se recuperou, de acordo com o padre Vitor Hugo Possetti, vice-postulador da Causa de Beatificação.
O projeto Santa Maria Tem!, iniciativa do Grupo RBS em parceria com a Prefeitura de Santa Maria, evidencia o turismo religioso, o qual impulsiona o investimento, a cultura e o conhecimento regional. Conhecida como Cidade Peregrina e reconhecida no Plano Municipal de Turismo como Território do Sagrado, Santa Maria recebe quase 300 mil turistas por ano, muitos deles motivados pela fé e pela devoção mariana, o que resulta em R$ 80,1 milhões em recursos para o município. Para acolher os turistas, a cidade conta com uma infraestrutura de 28 hotéis, 23 motéis e cerca de 3,1 mil leitos, além de 295 restaurantes e 174 espaços para eventos.
Conheça três atrações ligadas à vida de João Pozzobon:
1. Casa Museu João Luiz Pozzobon

A casa onde João Pozzobon morou com a esposa e os sete filhos conta com os mobiliários e utensílios deixados do jeito em que estavam quando ele e a família viviam ali. Os detalhes estão por toda parte, como os quadros da Campanha Mãe Peregrina com seus escritos, os sapatos, a mala, o terno e a gravata com os quais fazia as peregrinações. É também um lugar de espiritualidade, de oração, com uma capela localizada no quintal.
2. Capela Nossa Senhora das Graças

A dois imóveis de distância da Casa Museu fica a Capela Nossa Senhora das Graças, onde está sepultado o corpo de João Pozzobon. No local há uma sala memorial sobre o diácono, com peças, trajes e instrumentos que ele utilizava, além de um sacrário original onde ele fazia sua adoração e pegava a Sagrada Comunhão para levar os enfermos. A capela é um lugar onde também há missas e outras atividades religiosas.
3. Capelinhas azul, branca e rosa

As três cores compõem o manto de Nossa Senhora. A capelinha azul foi construída por João Pozzobon, que se referia a ela como um lugar de graça espiritual e acolhimento. Em torno, foram construídas 14 casas para pessoas carentes, que hoje não existem mais, mas são lembradas pela ação apostólica de João. A capelinha rosa pode ser alcançada a pé, no bairro Vila Floresta. João deu o título de Capelinha do Amor a essa construção, considerada um lugar de espiritualidade e de oração. Já a capela branca, na Vila Bilibio, também construída por João Pozzobon, é marcada por um milagre: o início de um incêndio que foi apagado no momento em que chegou a imagem da Mãe Rainha.
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