
Santa Maria recebe, no dia 24 de janeiro, o Arde Rock Fest, festival que tem como objetivo fomentar o rock autoral produzido no Rio Grande do Sul. Com entrada gratuita, o evento ocorre a partir das 18h, no Cadoz Boulevard Gastronômico, e reúne 10 bandas selecionadas por um corpo de jurados composto por músicos e profissionais com ampla atuação no rock nacional.
O festival é idealizado pela banda Arde Rock, que possui uma trajetória de 17 anos na cena autoral. Com três álbuns lançados e ouvintes em mais de 50 países, o grupo transformou a própria experiência em ponto de partida para a criação do evento. A proposta é fortalecer o rock gaúcho, ampliar oportunidades para novas bandas e contribuir para a reconstrução de uma cena cultural ativa, nos moldes do que marcou o Estado nas décadas de 1980 e 1990.
Cabe destacar ainda que o Arde Rock Fest é um projeto aprovado no edital SEDAC nº 32/2024 – Música, da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, com financiamento do Pró-Cultura RS, da Secretaria da Cultura do Estado do Rio Grande do Sul, do Ministério da Cultura e do Governo Federal.
Em entrevista, a vocalista e baixista da Arde Rock, Simone Sattes, e o fundador, vocalista e guitarrista da banda Adriano Peliçario, mais conhecido como Killermano, comentam sobre a criação do festival, a programação e as expectativas para o evento.
Como surgiu a ideia de criar o Arde Rock Fest?
Simone Sattes – Ainda é muito difícil encontrar contratantes e espaços que busquem, de forma consciente, shows de rock autoral. A maioria dos eventos, bares e casas opta por bandas cover, que tocam repertórios já conhecidos e garantem uma resposta imediata do público. Isso cria um ciclo difícil para quem produz música própria. Sem espaços, os artistas não circulam; sem circulação, a audiência não se acostuma a ouvir canções novas. E, sem esse hábito de escuta, a música autoral acaba restrita a nichos muito pequenos.
O Arde Rock Fest nasce como uma tentativa de ajudar a construir essa cultura, de criar um ambiente no qual o público se sinta convidado a ouvir o novo, a se permitir conhecer artistas e canções que ainda não fazem parte do repertório popular. É um processo de médio e longo prazo, mas que começa justamente com a criação de espaços como esse.
Como foi o processo de seleção das bandas finalistas?
Simone Sattes – A seleção das bandas finalistas foi realizada por um corpo de jurados formado por músicos e profissionais com longa trajetória no rock brasileiro. O processo foi mais desafiador do que imaginávamos. Tivemos 76 inscritos, de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, com muita qualidade, boas composições, letras consistentes e projetos muito bem estruturados. Isso tornou a seleção rica, mas também delicada.
Adriano Peliçario (Killermano) – As bandas selecionadas foram Aurora Dark (Santa Maria), Froz Trio (Arroio Grande), Jack Lanner (Cruz Alta), Kruerz (Erechim), Locomotiva do Rock (Santa Maria), Ouse (Caxias do Sul), Psycho Rockers (Montenegro), Ruptura Urbana (Rio Grande), Soldas em Geral (São Borja) e Zelbra (Bento Gonçalves). Elas sobem ao palco para disputar uma premiação total de R$ 40 mil, além de ampliar sua visibilidade junto ao público, à imprensa e aos profissionais do setor cultural.
Além dos shows autorais, o festival reúne participações especiais e diferentes linguagens artísticas. Qual foi a ideia por trás dessa programação?
Simone Sattes – A ideia foi criar uma programação que fosse além dos shows, construindo uma identidade própria para o festival, em diálogo com outras linguagens artísticas e sensoriais. Assim, quem vier ao Arde Rock Fest não levará apenas a lembrança sonora, mas também uma experiência visual, afetiva e simbólica.
O festival começa com a Banda Marcial Manoel Ribas, que traz uma memória muito forte da vivência escolar, da formação cultural e de um tempo presente no imaginário coletivo. Durante o evento, ocorre também a ação de live painting com os irmãos Broda Marques, em que o público acompanha ao vivo o processo de criação artística, gerando uma conexão sensível e afetiva com a arte em construção.
A Arde Rock realiza ainda um show especial com participações de Jacques Maciel, fundador e vocalista da Rosa Tattoada, e de Sady Homrich, baterista do Nenhum de Nós. No repertório, músicas que integram a memória afetiva do público e são ícones do rock gaúcho, criando uma ponte entre a história do gênero e a cena atual.
O encerramento com o Sarau do Magodoy celebra essa experiência de forma coletiva e festiva, com um show que convida o público a dançar, cantar junto e revisitar músicas marcantes, fechando o festival com leveza, encontro e celebração.
Quais são as expectativas para o Arde Rock Fest?
Simone Sattes – Temos recebido mensagens de pessoas de diversas cidades do Rio Grande do Sul que estão se organizando em excursões, caravanas e vans para prestigiar o evento. Esse movimento espontâneo mostra que há um desejo real por espaços dedicados à música autoral e à convivência cultural. Nossa expectativa é de grande público, mas, mais do que números, esperamos pessoas abertas, curiosas, dispostas a ouvir o novo, a se emocionar e a se conectar com os artistas e entre si.
Adriano Peliçario (Killermano) – Inclusive, já existem planos para a continuidade do evento. Temos recebido contatos de pessoas, artistas e agentes culturais interessados em apoiar e construir as próximas edições conosco. Bandas de diferentes regiões do Brasil também nos procuraram, perguntando sobre uma nova edição, o que reforça nosso desejo de seguir adiante, consolidar o Arde Rock Fest, aprender com cada realização e ampliar, cada vez mais, o fortalecimento do rock autoral.



