
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood anunciou nesta sexta-feira (1º) mudanças nas regras da categoria de melhor filme internacional para o Oscar 2027, marcado para 14 de março, em Los Angeles, e endureceu medidas contra o uso de inteligência artificial (IA) entre os concorrentes em geral.
Agora, um filme poderá ser indicado a melhor filme internacional mesmo sem ter sido escolhido pelo próprio país. A alteração mexe diretamente em uma das categorias mais tradicionais da premiação — vencida pelo Brasil pela primeira vez em 2025 com Ainda Estou Aqui — e amplia o caminho de entrada para produções faladas em idiomas diferentes do inglês.
Mais de um filme por país
Na prática, a mudança abre a possibilidade de mais de uma produção de um mesmo país concorrer ao Oscar de melhor filme internacional.
Além do representante oficial de cada país, também poderão disputar a categoria filmes premiados com:
- Urso de Ouro no Festival de Berlim
- Melhor Filme no Festival de Busan
- Palma de Ouro no Festival de Cannes
- Grande Prêmio do Júri da competição internacional no Festival de Sundance
- Platform Award no Festival de Toronto
- Leão de Ouro no Festival de Veneza
A alteração evita que obras consagradas no circuito internacional fiquem de fora da categoria por decisões internas de seus países.
O exemplo mais lembrado é Anatomia de uma Queda (2023), vencedor da Palma de Ouro em Cannes, que não foi escolhido pela França para representar o país no Oscar de 2024. O longa recebeu cinco indicações em outras categorias, mas não pôde concorrer como filme internacional.
Prêmio passa a ser do cineasta
Outra mudança é simbólica. A estatueta de melhor filme internacional deixará de ser entregue ao país representado e passará a ser concedida ao filme vencedor. O nome do cineasta será inscrito no troféu.
Até agora, a lógica da categoria reforçava o peso da nacionalidade. Com a nova regra, a Academia aproxima o prêmio do padrão das demais categorias, em que o reconhecimento vai diretamente para os profissionais envolvidos na obra.
Barreira contra IA
A Academia também atualizou regras para enfrentar o avanço da inteligência artificial em Hollywood. Nas categorias de atuação, só serão consideradas performances creditadas no filme, com consentimento comprovado dos artistas e participação humana.
Em roteiro original e roteiro adaptado, a regra também ficou mais clara: apenas textos escritos por humanos poderão concorrer. A organização ainda poderá pedir informações adicionais sobre autoria e eventual uso de ferramentas generativas.
A medida não proíbe o uso de IA em filmes: a tecnologia pode aparecer em etapas de produção, acabamento ou efeitos visuais. O limite estabelecido pela Academia está nas categorias em que a autoria humana é parte central da premiação.
A discussão ganhou força após a divulgação de um trailer que recria Val Kilmer com inteligência artificial, com autorização da família do ator, morto em 2025. O caso reacendeu o debate sobre os limites entre homenagem, inovação tecnológica e substituição de artistas.
Mais chances para atores
Outra alteração mexe nas categorias de atuação. A partir de 2027, atores e atrizes poderão receber mais de uma indicação na mesma categoria, desde que os trabalhos sejam em filmes diferentes.
Pela regra anterior, quando um artista tinha mais de uma performance competitiva na mesma disputa, apenas o papel com maior número de votos avançava. Agora, mais de um trabalho poderá aparecer entre os indicados.


