
A presença de produções brasileiras no Globo de Ouro por dois anos consecutivos é um feito "inexplicável" para a jornalista Miriam Spritzer, primeira gaúcha a integrar o corpo de votantes da premiação, entre 38 brasileiros.
— É quase como ganhar na Copa do Mundo dois anos seguidos, que acho que o Brasil também não vive isso há muito tempo — compara. Para a jornalista, é gratificante ver o público valorizando a cultura nacional.
— O cinema brasileiro sempre foi bem recebido no Globo de Ouro, pela comunidade cinéfila e pela comunidade da indústria cinematográfica mundial. E eu acho que muitas vezes o Brasil não dava tanta atenção ou tanto valor pelos seus próprios produtos culturais, sabe? — avalia.
Segundo Spritzer, a paixão do público brasileiro nas redes sociais tem um impacto notável na indústria.
— Eles sabem que o brasileiro é brincalhão, é intenso, que vai comentar para quem eles gostam, "come to Brazil". Não só os brasileiros estão comemorando o prêmio, mas a indústria como um todo, as pessoas que participam da indústria, elas amam ver essa intensidade — afirma.
Para ingressar no corpo de votantes, em 2021, ela participou de um processo de seleção diferente do atual, quando entrou para a antiga Hollywood Foreign Press Association (Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood).
— Foi um processo bem rigoroso, eu tive que mostrar muito do meu trabalho, comprovar que era tudo profissional — detalha.
— Tinha que mandar um monte de documentos, cartas explicando por que pode se juntar, o que pode trazer, cartas de recomendação, enfim, toda aquela função — recorda.
Ela explica que o Globo de Ouro sempre foi aberto a nomes e produções de fora dos Estados Unidos.
— Se brincava muito com aquele voto surpresa do Globo de Ouro porque se tratava de um grupo de estrangeiros que votava, e às vezes votava com gosto de estrangeiro, e não necessariamente com o gosto do americano que trabalha para a mídia doméstica — contextualiza.
Com o aumento de cerca de 100 para quase 400 votantes espalhados pelo mundo, esse cenário mudou.
— Os votos acabam se tornando mais óbvios e menos inusitados, porque fica muito mais difícil indicar alguma coisa diferente —pontua. Antes, segundo ela — com 10 votos a gente conseguia ter uma indicação, o que permitia o reconhecimento de atores menos conhecidos.
Nascida no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Miriam cresceu no Rio Branco e no Bela Vista. Estudou no Colégio Israelita Brasileiro e chegou a cursar Administração na ESPM antes de se mudar para os Estados Unidos, onde se formou em Jornalismo pela Universidade de Nova York.




