
A diretora e roteirista Joyce Prado, fundadora da Oxalá Produções, morreu nessa quarta-feira (10), aos 38 anos. Ela foi uma das cineastas mais premiadas e influentes de sua geração, considerada referência na construção de narrativas negras no audiovisual brasileiro.
Nascida em São Paulo em 1987, Joyce se formou em Rádio e TV pela Universidade de Belas Artes e atuou como diretora, roteirista e produtora, transitando entre o cinema (documental e ficcional) e filmes publicitários.
Seu primeiro longa-metragem como diretora foi Chico Rei Entre Nós, que narra a história de um rei escravizado que lutou pela liberdade do povo do Congo no século 18. Com o longa-metragem, foi premiada no 44º Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Ela também assinou o interprograma Nós, Mulheres, e as séries The Beat Diaspora, AM/FM e Cartas de Maio.
No audiovisual, Joyce fundou a Oxalá Produções, produtora focada na cultura afro-brasileira. Através da Oxalá, ela dirigiu obras importantes como o documentário musical Memórias de um Corpo no Mundo, além de produzir os videoclipes 3 Marias e Banho de Folhas e colaborar na identidade visual da cantora Luedji Luna. Com a parceria artística, também foi premiada no Music Video Festival Awards e no Women’s Music Event.
Em 2016, sua atuação internacional foi consolidada com o longa documental Flores de Baobá, vencedor do prêmio do público no Black Star Film Festival, nos Estados Unidos. Reconhecida por seu alcance global, Joyce participou de importantes laboratórios e iniciativas formativas no Brasil e na Europa, como o Rotterdam Lab (Holanda) e o TorinoFilmLab (Itália).
Além de sua contribuição artística, Joyce foi membro fundador da Associação de Profissionais Negros do Audiovisual (APAN) e atuou em iniciativas ligadas à reparação histórica da população negra na diáspora.
Reconhecimento
A ministra da Cultura e cantora Margareth Menezes manifestou pesar pela morte da diretora em suas redes sociais. Na publicação, destacou a relevância de Joyce Prado para o audiovisual brasileiro e relembrou o videoclipe Terra Aféfé, lançado em 2022, obra dirigida pela cineasta.
“O audiovisual brasileiro perde um talento muito cedo. Joyce dirigiu o clipe de Terra Aféfé e, com seu olhar cuidadoso, criativo e sensível, eternizou uma música muito especial para mim. Ela também integrava o Conselho Superior do Cinema”, escreveu a ministra.




