
A parceria entre Leandro Hassum e Netflix continua rendendo frutos – o novo projeto deste relacionamento bem consolidado é o filme Família, Pero No Mucho, que estreia nesta sexta-feira (18) na plataforma. O objetivo da comédia é fazer graça para o vovô e para a netinha, no maior estilo Sessão da Tarde.
Desta vez, o humorista interpreta Otávio, um pai que se vê obrigado a viajar para Bariloche, na Argentina, para conhecer a família de Miguel (Simon Hempe), o noivo da sua filha Mariana (Júlia Svacinna).
Ciumento e vivendo a síndrome do ninho vazio, o protagonista arruma confusão – é claro – e coloca em risco a felicidade de sua filha. Entre tombos na neve e paisagens deslumbrantes do país vizinho, o brasileiro precisa consertar a bagunça que causou. E tudo isso no melhor estilo Leandro Hassum.
O ator, aos 51 anos, orgulha-se de já ter 37 dedicados à carreira. Nesse período, construiu uma identidade e uma técnica próprias para cativar o público. E isto pode ser visto durante os 81 minutos de Família, Pero No Mucho, nos quais ele entrega, em diversos momentos, uma risadinha no canto da boca, quase como se o próprio Hassum estivesse saindo do personagem e carimbando: "Isso aqui é engraçado".
— O comediante que lidera o filme, o protagonista, acaba sendo o cara que vai regindo a orquestra. O riso nada mais é que uma orquestra. Então, às vezes, ocorrem essas jogadas no improviso, na hora que você vê esse olhar, que é do Leandro e não do personagem, é o meu olhar de cumplicidade com a plateia. É para que ela entenda: "Ó, vamos rir agora aqui" — explica Hassum para a reportagem de Zero Hora, em uma mesa-redonda promovida pela Netflix.
De acordo com o humorista, esta tática é para aprofundar o seu humor de identificação, o qual afirma que existe muito em Família, Pero No Mucho – inclusive, ao mostrar o seu personagem arranhando no portunhol, um clássico da comunicação entre os brasileiros e os argentinos.

A neve dos hermanos
Hassum, que mora nos Estados Unidos, afirma que já visitou a Argentina diversas vezes e, claro, percebeu que existe uma rivalidade intrínseca na relação entre os brasileiros e os hermanos. Porém, com o passar do tempo, percebeu que tal sentimento se restringe apenas aos campos de futebol.
— Não é uma rivalidade pessoal. Os argentinos amam os brasileiros e vice-versa — garante o ator.
Para as gravações do novo filme da Netflix, ele e toda a equipe passaram cinco semanas em Bariloche – e outras duas no Brasil. No total, foram quase dois meses dedicados para a realização de Família, Pero No Mucho. E, com estes dois cenários, foi possível criar o contraste entre os dois países. Mas isso exigiu que a produção superasse uma série de desafios.
— A gente teve o empecilho de estar em uma cidade que está nevando, o que é maravilhoso, para ter neve para as imagens. Mas, às vezes, essa neve, quando era demais, a gente não conseguia filmar, e quando era de menos, não imprimia na tela — conta Hassum.
O ator ressalta que, para lidar com estas barreiras, foi necessário contar com toda a estrutura que a Netflix do Brasil pode oferecer. Ao mesmo tempo, houve uma importante parceria com o serviço na Argentina, além da Camisa Listrada, produtora do longa.
— Esse estofo todo faz com que o filme ganhe uma qualidade cinematográfica, uma qualidade de valor de produção muito grande. Nada foi feito em estúdio ou com IA, foi tudo filmado em Bariloche. Todos os cenários são verdadeiros. Existiram desafios, mas foram muito mais vitórias — relata o protagonista do filme.

Parceria com a gigante
De 2020 para cá, Hassum já estrelou cinco filmes e uma série para a gigante do streaming. Olhando no cenário global, daria para comparar com a parceria que a Netflix tem, nos Estados Unidos, com Adam Sandler. A consolidação deste trabalho, de acordo com o humorista, tem uma justificativa:
— Nós estamos mirando para o mesmo alvo. Tenho uma liberdade muito grande dentro da empresa de propor projetos. Eles também propõem projetos que são a cara do Hassum. Estamos na mesma estrada, no mesmo carro, com a Netflix conduzindo e o Hassum no banco do carona, com o mesmo desejo e com a mesma visão do destino em que a gente quer chegar.
Assim, Hassum enxerga essa liberdade, também, para improvisar, trabalhando com nomes que o deixam confortável, tanto na escrita quanto na direção. Os profissionais que desenvolvem os projetos com o ator deixam o espaço para que ele possa brilhar e fazer exatamente o que o público espera dele.
No caso de Família, Pero No Mucho, a direção é de Felipe Joffily, que já havia comandado o comediante em Os Caras de Pau em O Misterioso Roubo do Anel (2014). Já o roteiro é de Leandro Soares, que não havia trabalhado com Hassum, mas que conta em seu currículo com títulos em que oferece as bases para os artistas apresentarem as suas particularidades, como é o caso da série Vai que Cola, para a qual elaborou scripts de 2013 a 2020.
— Sou um ator muito conhecido por improvisar para caramba. Só que, às vezes, o público não sabe que eu improviso em cima de um roteiro. Então, preciso ter um bom roteiro para poder improvisar, porque tudo é escorado no roteiro. Quando a história está indo para o lugar que vou, consigo sair do texto, improvisar e voltar para dentro dele. Essa liberdade que a Netflix me dá, de poder improvisar e ser o Leandro Hassum que as pessoas esperam, que as pessoas gostam de assistir e de rir.

