Nos últimos anos, Hollywood decidiu olhar com mais atenção para os vilões e, com isso, eles estão ganhando as suas próprias produções. Exemplos não faltam: Coringa, Cruella, Venom, Esquadrão Suicida e Malévola são apenas alguns dos malvadões que conquistaram os seus espaços da década passada para cá, fazendo sucesso nos cinemas. Em breve, ainda, Loki estrelará a sua série própria no Disney+ e Morbius, antagonista do Homem-Aranha, ganhará vida na pele de Jared Leto.
Ou seja, os vilões, além de serem muito interessantes e despertarem a curiosidade do público, ainda são uma mina de ouro para os estúdios, rendendo bilheterias excelentes. Pensando nisso, GZH reuniu alguns malvados da ficção que, no futuro, também poderiam estrelar os seus próprios filmes. Além disso, convidamos dois renomados cineastas gaúchos para opinarem sobre quais histórias de antagonistas eles gostariam de ver nas telonas. Confira a seguir.
Nazaré Tedesco (Senhora do Destino)

Interpretada por Renata Sorrah, a vilã de Senhora do Destino é, certamente, uma das mais populares do Brasil — ajudada, inclusive, pela força de seus memes, que nunca deixa ela ser esquecida. A personagem em si tem muita força e, por mais que a sua história tenha ganhado bastante destaque na novela de Aguinaldo Silva, ainda existe bastante espaço para explorar o passado da antagonista de Maria do Carmo (Suzana Vieira), buscando entender os traumas que a levaram a roubar uma criança e, também, a sua obsessão por derrubar quem ela não gostava da escada.
Roy Batty (Blade Runner: O Caçador de Androides)

Roy Batty (Rutger Hauer) é um vilão icônico e fascinante. Replicante, o personagem sente a angústia da finitude e, não querendo deixar de “viver”, ele, liderando um grupo de androides rebeldes, decide ir atrás do seu criador e ser reprogramado para não parar de funcionar — tudo isso enquanto é caçado por Rick Deckard (Harrison Ford). Porém, ao descobrir que não seria possível continuar existindo, ele aceita o seu destino e entrega um dos monólogos mais marcantes do cinema. Nele, Batty conta sobre os momentos presenciados por ele e que todos se perderiam no tempo, “como lágrimas na chuva”. Um filme solo sobre o replicante, mostrando ele presenciando as naves de ataque em chamas ao largo de Órion e os raios-c brilhando na escuridão, próximos ao Portal de Tannhäuser, além de como surgiu a necessidade de proteger a própria “vida”, seria, no mínimo, interessante.
O Homem Fumante (Arquivo X)

A figura misteriosa do Homem Fumante, às vezes, chamado de Canceroso, foi interpretada por William B. Davis. Do personagem, pouco se sabia, além de que era alguém poderoso, sem limites morais e que podia manipular fatos importantes, para proteger o governo norte-americano, prejudicando o trabalho de Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) à frente dos arquivos X. A figura, então, torna-se mais humanizada a partir do episódio Musings of a Cigarette Smoking Man, o sétimo da quarta temporada da série. Ali, o público descobre como ele chegou à posição que ocupava, estando por trás de episódios históricos dos Estados Unidos, suas motivações e, também, a sua solidão. O capítulo é um dos melhores avaliados de todo o programa e demonstra o interesse dos fãs pelo personagem. Se um pedacinho de sua jornada dele rendeu ótimos 45 minutos, imagina o que poderia ser feito em duas horas de um filme.
Scar (O Rei Leão)

O irmão de Mufasa rouba as cenas em que aparece em O Rei Leão (1994), clássico da Disney. Tanto é que o seu legado segue na continuação da animação, O Rei Leão 2: O Reino de Simba, lançado quatro anos depois. Sarcástico, divertido e pouco confiável, o felino, que foi dublado originalmente por Jeremy Irons, viveu à sombra do irmão e sempre almejou o título de rei, até que conseguiu trair a família e assumir o trono. Buscar entender a origem do ressentimento de Scar e como foi a juventude entre os irmãos poderia muito bem render um filme. A relação dos dois, inclusive, lembra um pouco a de Thor e Loki. E, bem, o vilão da Marvel está ganhando uma série solo.
Os Bandidos Molhados (Esqueceram de Mim 1 e 2)

Quando Harry Lime (Joe Pesci) e Marv Merchants (Daniel Stern) decidem invadir a casa da família McCallister, às vésperas do Natal, eles não imaginavam que iriam encontrar lá o seu pior pesadelo: Kevin (Macaulay Culkin). O guri não apenas impede que os bandidos roubem o local, como também causa neles um sofrimento sem igual, com armadilhas engenhosas e até mesmo um certo sadismo. A história se repete, dois anos depois, em Nova York, quando a dupla depara mais uma vez com o menino, que frustra os seus planos novamente. Harry e Marv acabaram ficando conhecidos como “Bandidos Molhados”, graças às pegadinhas de Kevin, e seria divertido ver como os dois se conheceram e quais os outros planos que deram errado antes de cruzarem com Kevin. Ou, talvez, um filme que mostrasse como a dupla superou o trauma deixado pelo personagem de Culkin. Renderia boas risadas, certamente.
Lord Voldemort (Saga Harry Potter)

Tivemos alguns vislumbres de como foi a juventude de Tom Riddle durante a saga Harry Potter, tanto nos livros quanto no cinema. Mesmo assim, um filme sobre o passado do fascinante personagem seria muito bem-vindo, mostrando a sua trajetória, a origem de sua raiva, os traumas e as motivações que o levaram a se tornar o temido Lord Voldemort. Em 2018, um média-metragem feito por fãs recebeu o aval da Warner Bros. para contar a história do bruxo mais malvado de todos os tempos. Voldemort: Origins of the Heir foi lançado no YouTube e, apesar de bem feito, ainda não é o longa que os fãs do vilão gostariam de ver, com a tradicional pré-estreia no cinema, cheia de cosplayers, amigos e muita pipoca.
Erik Killmonger (Pantera Negra)

É quase unanimidade entre os fãs do Universo Cinematográfico Marvel que Erik Killmonger (Michael B. Jordan) é um dos melhores vilões da franquia. Abandonado ainda criança por sua família, que governa Wakanda, o personagem acaba tendo de sobreviver sozinho nas periferias dos Estados Unidos e lá começa a elaborar um plano de retomar o que foi tirado dele — e de seus ancestrais. Revidando contra todos os que o fizeram sofrer, ele acaba reivindicando o trono de Wakanda e até o conquistando, mas a sua política violenta acaba não sendo a resposta adequada para a resolução dos problemas, assim como a decisão do reino de Wakanda de se omitir aos problemas mundiais também não eram o caminho. Após a intervenção de Killmonger, T’Challa (Chadwick Boseman) entende que é o seu papel como rei é não permitir que outras crianças sejam abandonadas pelo sistema e se tornem como Killmonger. O vilão é extremamente bem construído e a sua jornada, certamente, merecia ser contada em uma produção própria, abordando a luta social, o preconceito e o abandono.
E os cineastas, o que acham?
Negan (The Walking Dead)

Para Otto Guerra, cineasta, animador e votante do Oscar, o vilão da série The Walking Dead interpretado por Jeffrey Dean Morgan merecia ter a sua história contada em uma produção solo.
— Ele é um grande vilão e que estabelece uma relação com o filho do herói, do protagonista, que é genial, tanto o roteiro quanto o personagem. O contraponto que tem entre o bem e o mal, as soluções que os roteiristas encontraram foi um espetáculo, lidando com a maldade a favor da história, inclusive, justificando, naquela situação apocalíptica, a sobrevivência de alguns poucos — defende o diretor de Wood & Stock: Sexo, Orégano e Rock and Roll, Até que a Sbórnia nos Separe e A Cidade dos Piratas.
Salamanca do Jarau (Folclore gaúcho)

Já Zeca Brito, responsável por obras como Trinta Povos e Legalidade, gostaria de ver a história da lenda gaúcha Salamanca do Jarau sendo retratada em um filme.
— Ela é, em sua origem mítica, uma feiticeira, uma bruxa no sentido medieval, ou seja, uma vilã. Tem pecado e culpa costurados à sua história, o conflito histórico de árabes e cristãos. Tem miscigenação e caldo cultural africano nesta princesa moura e tem a metamorfose. Ela se transforma em lagartixa. Pintada pela visão patriarcal como vilã sedutora, é uma personagem que certamente precisa ser revista. Como símbolo de libertação, é um arauto de força feminina na gênese mística da formação cultural e humana do povo gaúcho — explica Brito.



