
O filme E o Vento Levou (1939) retornará à plataforma de streaming HBO Max sem cortes e fazendo uma introdução do contexto histórico do longa. Os aspectos considerados racistas na produção serão apontados e analisados por Jacqueline Stewart, professora do Departamento de Cinema e Estudos de Mídia da Universidade de Chicago.
Em um artigo para a rede de TV CNN, Jacqueline afirmou que o longa "romantiza a escravidão como uma instituição benigna e benevolente". Porém, ela considera essa uma ótima oportunidade de pensar sobre como filmes clássicos podem estimular a reflexão.
— Apresentarei uma introdução colocando o filme em seus múltiplos contextos históricos. Para mim, esta é uma oportunidade de pensar sobre o que os filmes clássicos podem nos ensinar. (...) Se as pessoas realmente fizeram a sua lição de casa, podemos ter nossa conversa mais produtiva sobre vidas negras dentro e fora da tela até hoje — escreveu a professora.
Na semana passada, a HBO Max decidiu retirar E o Vento Levou do seu catálogo de filmes após a representação de escravos conformados e heroicos proprietários de escravos ser alvo de críticas. O debate foi levantado justamente durante a onda de protestos contra o racismo e a violência policial que se espalhou pelo mundo após a morte após a morte de George Floyd.
A HBO Max deixou claro que a decisão era temporária até que fosse pensado um jeito de recolocar o filme no seu catálogo sem promover cortes em cenas de cunho racista, "porque fazer isto seria como dizer que estes preconceitos nunca existiram", disse a empresa em comunicado.
— Estamos sendo lentos e cuidadosos, e acho que esta é a resposta certa. O filme vai ser reapresentado, mas com contexto. Ninguém quer perder estes conteúdos — e há muitos deles — que podem ser descritos, e corretamente, como racialmente insensíveis. No entanto, sentimos que precisamos de uma nova moldura para eles no discurso dos dias de hoje —disse a chefe de conteúdo da HBO Max, Sandra Dewey, para a revista Variety.
Ambientado na Guerra Civil dos Estados Unidos (1861—1865), o foco do filme está no romance entre Scarlett O'Hara (Vivien Leigh) e Rhett Butler (Clark Gable). Mesmo com quatro horas de duração, a obra foi um sucesso de público, sendo até hoje uma das maiores bilheterias da história (quando são calculados os ajustes pela inflação). Também foi celebrado pela crítica, conquistando oito estatuetas do Oscar.
A data em que o filme retornará ao catálogo do streaming ainda não foi divulgada.
