
Há cinco anos que o Festival Olhe pra Cima tem transformado a paisagem urbana de Porto Alegre. Por meio da pintura de murais e empenas, a cidade exala um pouco de arte em meio aos concretos padronizados. Agora, chegou a vez de apresentar um balanço dessa empreitada.
Desta quinta-feira (9) até o dia 9 de maio, a sede do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) no Quarto Distrito recebe a exposição Festival Olhe pra Cima. A mostra gratuita reúne trabalhos das cinco edições do evento, com todos os murais e artistas envolvidos.
A exposição está instalada em um dos antigos bondes da Carris, no pátio, inaugurando um novo espaço expositivo do museu. Além das imagens dos murais, há conteúdo audiovisual ilustrando quem são os artistas participantes.
Na mostra, há ações de acessibilidade, com audiodescrição dos murais já pintados.
Impacto na cidade
Para Vinicius Amorim, criador e curador do projeto, o maior desafio da exposição era mostrar o impacto de um projeto que está diluído pela cidade.
— A ideia é revisitar a memória do nosso acervo e mostrar para as pessoas o que estamos fazendo desde 2021 — diz Amorim. — A exposição tem uma importância enorme porque para conhecer todo o nosso acervo você tem que andar alguns quilômetros. Até promovemos caminhada guiada, mas aqui na mostra a gente está contando essa história em um só lugar.
Em cinco anos, o festival contabiliza 19 obras em prédios no Centro Histórico, Independência, Floresta e Cidade Baixa, acumulando mais de 9 mil m² de intervenções artísticas pela cidade.
Democratização do acesso à arte
Amorim destaca que o projeto contribui para que as pessoas despertem um olhar para a arte visual. Conforme o curador, a maior entrega do festival é a democratização de acesso:
— Tu não precisas estar predisposto a consumir arte, isso pode te atravessar no meio do cotidiano. Tu podes estar indo fazer compras no Centro e, eventualmente, encontrar um mural. Há muita potência na arte urbana pública ao alcance de todo mundo.
A arte urbana tem o poder de transformar um pouco o olhar do público. Quem sabe, eles se sintam convidados a frequentar outros espaços, como museus e galerias.
VINICIUS AMORIM
Criador e curador do Festival Olhe pra Cima
Quinta edição
A edição deste ano do Olhe pra Cima começou em janeiro, com o início da pintura de seis empenas realizadas por seis artistas. Os murais já estão concluídos. Veja os artistas e os enderços:
- Aline Bispo: Avenida Borges de Medeiros, 1.121
- Apolo Torres: Avenida Loureiro da Silva, 1.960
- Gordo Muswieck: Avenida Independência, 56
- Jocelyn Burgos: Rua Otávio Rocha, 280
- Lídia Brancher: Rua Jerônimo Coelho, 59
- Rena Santos: Avenida Cristóvão Colombo, 200
Arte no bairro Sarandi
O Olhe pra Cima também voltará a promover uma intervenção artística no bairro Sarandi, na Zona Norte.
Em 2024, a ação foi assinada por 10 artistas juntamente com o Coletivo Abrigo (organização de educação, cultura, esporte e assistência social).
Antes, em 2021 e 2022, as ações sociais envolveram a pintura de mural no Território Ilhota e na fachada da Casa de Acolhimento Mulheres Mirabal.
Neste ano, o festival deve reunir novamente 10 artistas. Os interessados devem se inscrever pelo site do projeto até o dia 20 de abril. Os selecionados receberão um cachê de R$ 1,2 mil para atuar no bairro, o que deve ocorrer entre 8 e 11 de maio.
Exposição "Festival Olhe pra Cima"
- Desta quinta-feira (9/4) até o dia 9 de maio
- Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul no 4º Distrito (MAC 4D) — Rua Comendador Azevedo, 256
- Visitação de terça a sexta, das 12h às 18h, e sábados e domingos, das 10h às 18h
- Entrada gratuita

