São duas ruas paralelas, que cruzam a Avenida João Pessoa (no limite dos bairros Cidade Baixa e Santana, na Capital) e guardam muitas histórias em comum. Para começar, ambas homenageiam poetas. A Olavo Bilac presta reverência àquele que ficou conhecido como “o príncipe dos poetas brasileiros”. Nascido no Rio de Janeiro, em 1865, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac é considerado o principal autor parnasiano do país. Ora (direis) ouvir estrelas! Certo perdeste o senso! — eis um de seus versos mais famosos. Já a Lobo da Costa faz homenagem ao pelotense Francisco Lobo da Costa, poeta, jornalista e teatrólogo, que viveu de 1853 a 1888. Um dos nomes mais expressivos do romantismo no Estado, ele enalteceu a vida boêmia e as desventuras amorosas de sua geração. É patrono da cadeira número 12 da Academia Rio-Grandense de Letras.
O que pouca gente sabe é que, no passado, as ruas irmãs trocaram de nome. Explico: a atual Rua Olavo Bilac, nos tempos idos, era denominada Lobo da Costa. Claro, a paisagem da cidade era outra, bem diferente. Ela se estendia tão somente da Rua José do Patrocínio até a João Pessoa. Do outro lado da avenida, na fase inicial, o que havia era apenas uma ligação precária entre a Vieira de Castro e a Santana, que os porto-alegrenses chamavam de Rua Sá Brito (referência a um político e magistrado da época). Esse trecho é bastante antigo, com registro nos anais da Câmara Municipal na segunda metade dos anos 1870. Apenas na década de 1920, a Sá Brito foi prolongada até a João Pessoa, completando o trajeto da atual Rua Olavo Bilac.
Já a Lobo da Costa, tal como a chamamos hoje, apareceu no mapa de Porto Alegre no ano de 1911, com o nome de Rua 14 de Julho. Ela também começava na José do Patrocínio, mas não se atrevia a ir além da João Pessoa. A pequena quadra que existe atualmente entre a grande avenida e a Rua Inácio Montanha foi construída tão somente na década de 1930.
Bem, explicada a evolução de percurso de cada uma delas, resta uma indagação: quando e como aconteceu a troca de nomes? Foi por meio de um decreto do intendente Loureiro da Silva, datado de 27 de dezembro de 1938. O ato não apenas unificou a velha Lobo da Costa com a Sá Brito como alterou a designação da nova artéria para Rua Olavo Bilac. Ao mesmo tempo, transferiu o nome Lobo da Costa para a rua paralela. E, assim, definiu a atual configuração daquele simpático recanto da cidade.



