Não é de hoje que o Parque Farroupilha acolhe os porto-alegrenses aos fins de semana. Se voltássemos no tempo para desembarcar no Campo da Redenção (como se dizia antigamente) numa tarde dominical da primavera de 1905, veríamos uma multidão alvoroçada à espera de pura diversão.
Um dos motivos de tal entusiasmo, por certo, seria a tauromaquia. Sim, a Capital já foi palco de touradas, como relata Sérgio da Costa Franco, no livro Porto Alegre Ano a Ano: “Em 7 de fevereiro de 1898, uma construção de madeira, sem cobertura, identificada como Circo de Touradas, inaugurou-se no Campo da Redenção, quase defronte à Rua da República, onde se realizavam vários espetáculos do gênero. Ainda existia em 1905”.
As touradas em Porto Alegre eram organizadas por um português de nome Francisco Pontes. Diferente da tradição espanhola, que não poupa os pobres animais, no Brasil se praticava o modelo português, em que os touros são protegidos por coletes de velcro para impedir que as bandarilhas atiradas pelos toureiros os espetem mortalmente.
Neste domingo de primavera, em especial, observava-se uma aglomeração fora do comum — via-se um sem número de carretas estacionadas ao longo da Avenida da Redenção (atual João Pessoa). Eis que, dali a pouco, entre gritos e apupos, um balão alçou voo sobre a turba. A bem dizer, pelos relatos das testemunhas, mais parecia uma canoinha voadora. Pelo que consta, foi a primeira vez que tal esfera foi avistada por essas bandas.
Para onde terá ido? Segundo Ary Veiga Sanhudo, no livro Porto Alegre — Crônicas de Minha Cidade, “o aeróstato caiu nos banhados duma ilha fronteira e o piloto, um tal Magalhães, ficou enganchado numa árvore! Ah!... Porto Alegre vibrou com seu primeiro balão! Também a cidade tinha tão pouco divertimento nesse tempo”. Como se vê, de longa data, a Redenção é o espaço privilegiado de lazer dos porto-alegrenses.

