Quando Porto Alegre ainda era uma vila, a Rua Marechal Floriano (hoje, uma das mais movimentadas do centro da Capital) era conhecida como Rua de Bragança. Esse costume perdurou, teimosamente, durante muitos anos, depois que ela assumiu a denominação atual, em 1892 — neste intervalo, também foi designada Rua General Silva Tavares. E, até hoje, persiste o mistério acerca da origem do nome original: a quem os antigos moradores da cidade se referiam quando a chamavam de Rua de Bragança?
Em crônica publicada em Zero Hora, em 22 de abril de 1985, o historiador Sérgio da Costa Franco tentou decifrá-lo. No primeiro momento, recorreu a Antônio Álvares Coruja, profundo conhecedor da origem de ruelas e becos da Porto Alegre antiga. A primeira hipótese de Coruja era a de uma “homenagem à família então reinante”. Como segunda justificativa, aventou a possibilidade de que ali tivesse morado o desembargador Luiz Corrêa de Teixeira Bragança.
De imediato, Costa Franco recusou a primeira explicação: “Nenhum dos nomes espontâneos de ruas, praças e becos da Vila fez homenagens a instituições do Reino português ou a figurões distantes. Nem é admissível que se prestasse reverência à dinastia reinante numa ruela sem placas, da periferia urbana”.
Disposto a examinar a segunda hipótese como mais plausível, o historiador fez uma breve visita ao Arquivo Público, onde estão guardados os livros do 1º Tabelionato. Descobriu que, em dezembro de 1790, já havia menção a uma operação de compra e venda de uma “morada de casas na Rua de Bragança”. Ora, como o referido desembargador chegou a Porto Alegre apenas em 1805, a segunda hipótese de Coruja também se revelou inviável.
Qual seria, então, a resposta certa? Para Costa e Franco, provavelmente, o homenageado seria pessoa modesta, como no caso da Rua dos Nabos a Doze (atual General Bento Martins), referência a um vendedor de dozes nabos por vintém, ou do Alto da Bronze, que homenageia Felizarda, apelidada de Bronze, moradora da região. “Fica aberto aos descobridores de antiguidades locais apurar qual Bragança da infância da povoação teria gerado topônimo tão resistente”, conclui o mestre.

