Não faltam personagens que deixaram sua marca na história do carnaval de Porto Alegre. Um deles é Izolino Antônio do Nascimento, o Nêgo Izolino, de 82 anos. A primeira escola de samba da qual participou foi a Acadêmicos da Orgia. Depois, passou por Praiana, Império da Zona Norte, Imperatriz Dona Leopoldina e Império do Sol, compondo sambas-enredos, puxando a cantoria ou ajustando detalhes dos desfiles como diretor de harmonia.
Mas Nêgo Izolino é bem mais do que isso. É também um exemplo de talento e a perseverança. Ele não conheceu o pai e foi abandonado pela mãe ainda criança. Então, foi acolhido pelo Asilo Padre Cacique, que — à época — educava crianças abandonadas. Aos 11 anos, transferiu-se para o Colégio Agrícola São Miguel, de São Leopoldo, cidade onde vive até hoje.
Por sinal, foi no São Miguel que estreou como artista ao conquistar o primeiro lugar em festival estudantil com a modinha Buraco do Tatu, de sua autoria. Como prêmio, ganhou meia dúzia de rapaduras. A profissionalização veio com o grupo Samba Autêntico, que fundou com amigos (Chinês, Brito, Cabeto, Di Bolão, Iara, João Aruanda, Airton, Alemão Charles do Cavaco e Cláudio Barulho), nos anos 1980.
— Tocávamos no Rio Grande inteiro. Além disso, acompanhávamos grandes nomes da música brasileira quando vinham para cá, como Ivone Lara, Elza Soares, Noite Ilustrada e Mestre Marçal — conta ele.
Autor de mais de 150 canções, Izolino lançou o disco Bons Momentos, de 2019. Segue reverenciado nas melhores rodas de samba da Capital, como a que lidera, aos domingos, no Choro Jazz Café, no bairro Santana, ao lado do Colégio Militar. O pagode está de férias, mas deve retornar em março. Se eu fosse você, não perderia a oportunidade de escutar esse mestre do samba.



