Há quase meio século, o Brique da Redenção ocupa lugar cativo no coração dos porto-alegrenses. Chega a atrair dezenas de milhares de pessoas à Avenida José Bonifácio, junto ao Parque da Redenção, em domingos radiantes de sol. Alguém já disse — com toda a razão — que é a sala de estar da Capital. Virou ponto de encontro.
O Brique da Redenção ficou tão famoso — aliás, é Patrimônio Cultural Imaterial do Estado — que, à certa altura, faltou espaço para tantos expositores. Em 1993, alguns deles se mudaram para o sábado.
Pronto: estava criado o irmão caçula do brique dominical, que, hoje, tem cerca de 15 antiquários, distribuídos pelo canteiro central da José Bonifácio, nas quadras próximas à Avenida João Pessoa. Em 2003, foi instituída a Feira de Artesanato do Brique de Sábado (atualmente, com 70 expositores).
— A princípio, os artesãos ocupavam a área do canteiro reservada às feiras ecológicas (entre a Osvaldo Aranha e a Vieira de Castro), depois que elas desmontavam suas barracas — relembra Francisco Ribas, o Pancho, que expõe camisetas com estampas de temática futebolística.
Recentemente, a José Bonifácio foi fechada para veículos aos sábados, como já acontece nos domingos há décadas. Desse modo, os artesãos ganharam a pista de asfalto, em paralelo aos antiquários.

— O irmão famoso atrai milhares de pessoas, enquanto nós ainda estamos na batalha para chegar lá — diz Leísa Martini, que trabalha com peças em madeira.
Leísa criou o perfil Feiras da Redenção no Instagram para divulgar o trabalho dos empreendedores de sábado. Segundo ela, o movimento se expande à pipoqueira, aos vendedores de churros e abacaxi e ao pessoal que opera o pedalinho e o trenzinho do parque.
— No coração das pessoas que amam a Redenção, é uma coisa só, um organismo vivo e pulsante — conclui ela.




