Os frequentadores do Parangolé — bar que completa 20 anos de atividades em 2026 — estão habituados à figura amável e discreta de seu Cláudio. Mas poucos conhecem as profissões que ele abraçou antes de se transformar em dono de botequim na Cidade Baixa, bairro boêmio da Capital.
Natural de Minas do Leão (quando ainda era distrito de Butiá), na Região Carbonífera do RS, Cláudio Soares de Freitas foi criado em casa de chão de barro, sem luz ou água encanada. Ainda criança, ajudava os pais no balcão do armazém de secos e molhados da família, desses que vendem desde cachaça até aliança de noivado. Aos 13 anos, ia de carroça vender batata, tomate e melancia para os operários da Companhia Rio-grandense de Mineração (CRM), carro-chefe da economia local. Ele foi ainda motorista de ambulância e trabalhou em chão de fábrica calçadista, antes de se aposentar e adquirir o ponto do antigo bar Picapau, na Rua Lima e Silva, quase na esquina com a Loureiro da Silva, em 2006.
De imediato, mudou o nome para Parangolé (homenagem à obra do artista plástico Hélio Oiticica) e transformou o boteco em referência de música ao vivo de qualidade. Essa história começou quando jovens músicos de chorinho, como Mathias Pinto e Samuca do Acordeon, se encantaram com o bar. Alguns se tornaram nacionalmente conhecidos, como Pedro Franco, que hoje acompanha grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia e Zélia Duncan.
— Pedro vinha aqui trazido pela mãe, porque tinha só 15 anos – conta seu Cláudio.
Por aquelas noites, o palquinho do Parangolé recebia também figuras históricas da música popular, como o violonista Darcy Alves (parceiro de serenata e boemia de Lupicínio Rodrigues) e a cantora uruguaia Nina Moreno, além do bandoneonista Rafael Koller (todos já falecidos). Hoje, a agenda inclui Adriana Deffenti, Orly Jr., Nicola Spolidoro, James Liberato e Flávio Medina, entre outros artistas.
A programação de aniversário se estenderá por todo o mês de março (a data é dia 9), com shows e saraus musicais. Está prevista, inclusive, uma apresentação de seu Cláudio. Para quem não sabe, ele foi acordeonista do conjunto Os Tropeiros da Amizade, que tem dois LPs gravados. O que esse homem não fez? Desta vez, vai tocar ao lado do filho, Thiago Colombo, premiado violonista clássico e professor do Centro de Artes da UFPel.




