Mais conhecido como arquiteto que ajudou a modelar a paisagem da Capital no início do século 20, com edifícios como o Asilo do Pão dos Pobres e a Igreja São José, além do conjunto residencial Vila Flores (hoje centro cultural), José Lutzenberger também foi um artista plástico de mão cheia. Em algumas ocasiões, essas duas facetas se juntaram, como no caso do Palácio do Comércio, sede da Associação Comercial de Porto Alegre, entidade que completou 168 anos no último sábado (dia 14).
– No tempo das belas artes, a arquitetura era considerada uma forma de arte, como a pintura e a escultura. Não havia divisão – explica José Francisco Alves, curador de uma exposição com aquarelas, desenhos em nanquim e pinturas a óleo de Lutzenberger na Casa da Memória Unimed Federação/RS, em 2024.
Nascido no sul da Baviera, em 1882, o alemão (pai de José Antonio Lutzenberger, fundador do ambientalismo brasileiro) se radicou, em 1920, em Porto Alegre. Em 1938, antes de elaborar a planta arquitetônica do Palácio do Comércio (inaugurado dois anos depois), desenhou cerca de 30 esboços, que incluem – além do Salão Nobre – um café com vista para o Guaíba (à época, não existia o Muro da Mauá), que, segundo Alves, não chegou a ser implantado ou, se foi, ficou pouco tempo em atividade.

– Há também belíssimos estudos para ornamentar os dutos do ar condicionado (o prédio é o primeiro dotado da tecnologia na Capital), que combinam com a fantástica luminária, o que empresta uma beleza impressionante ao interior da construção – acrescenta o arquiteto Maturino Luz.
Afora isso, os desenhos – com mulheres elegantes e homens de terno branco – oferecem um precioso retrato da Capital nos anos 1940. A historiadora Suzana Porcello Schilling complementa que a inauguração do Palácio do Comércio simbolizou a solidez institucional da Associação Comercial de Porto Alegre e que o edifício abrigou, durante décadas, a Bolsa de Mercadorias da Capital, marco da organização econômica regional.


