Notícia boa também vem a galope. A restauração da estátua do general Bento Gonçalves montado a cavalo, no canteiro central da Avenida João Pessoa, junto à Praça Piratini, na Capital, deve começar em abril e ser concluída até setembro deste ano (a iniciativa é do programa Construção Cultural, do Sinduscon-RS).
E pensar que o monumento (tombado como patrimônio histórico desde agosto de 2025) poderia não estar ali. A ideia inicial era instalá-lo na ponte da Azenha por ela ter sido palco do primeiro combate da Guerra dos Farrapos, na noite de 20 de setembro de 1835. Tanto isso é verdade que, em 1934, o orçamento do município para a construção da nova ponte da Azenha previa — além do general — quatro figuras de cavaleiros em cada uma das cabeceiras.
Em 1935, os planos mudaram: o monumento (já sem os cavaleiros, mas ainda com Bento) seria uma das atrações da Exposição do Centenário Farroupilha, no Parque da Redenção. Abriu-se, então, concurso público para a escolha do escultor.
Só o paulista Hildegardo Leão Veloso se inscreveu. Figura de renome nacional, ele era conhecido por essas plagas por haver projetado a estátua do General Osório, na Praça da Alfândega, em 1933. Dada a finalidade da obra (prestar homenagem ao líder farroupilha), desta vez, a indicação de Veloso não caiu no agrado popular. Com isso, ganhou força o nome de Antônio Caringi.
— Apesar de ainda não ter a fama de Veloso na perspectiva nacional, pesava em favor de Caringi o fato de estar estudando na Alemanha e, principalmente, ser nascido em Pelotas, o que traria maior simbolismo à obra — diz João de Los Santos, da Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (EPAHC) da prefeitura.

Curiosamente, a obra teve apenas o pedestal inaugurado por Getúlio Vargas, em 20 de setembro de 1935, por conta de atraso da operação de transporte (fundida em Berlim, foi levada até o porto de Hamburgo para de lá ser enviada a Porto Alegre). Foi, de fato, instalada na Redenção em 15 de janeiro do ano seguinte. Em 1941, ganhou lugar no atual endereço, na João Pessoa.
Vale destacar que, à época, as homenagens ao líder dos farrapos não ficaram por aí. Em 1936, a Estrada do Mato Grosso (uma das passagens usadas pelas tropas farroupilhas acampadas em Viamão) foi rebatizada como Avenida Bento Gonçalves, hoje uma das principais vias da zona leste da Capital.




