
Em outubro de 2004, portanto há 16 anos, foi inaugurada, no bairro Chácara das Pedras, em Porto Alegre, a Praça Gilda Marinho. O logradouro está situado na confluência das avenidas Teixeira Mendes e João Wallig e da Rua Desembargador Hugo Candal. A iniciativa foi do então vereador Cláudio Sebenelo, que, na exposição de motivos, escreveu: “Gilda, mulher, pioneira, espírito, humor, brilho, inteligência vivaz”. Segundo ele, Gilda Marinho, falecida em 8 de fevereiro de 1984, foi um dos principais nomes femininos do jornalismo e da cultura no Rio Grande do Sul.
Entre as histórias folclóricas envolvendo essa figura ímpar, uma das mais saborosas consta no livro Porto Alegre na Vitrine: Memórias do Comércio Varejista da Capital Gaúcha, editado pelo Sindilojas em 2012, com textos de Eduardo Bueno (o Peninha) e Paula Taitelbaum.
Nos anos 1960, a exuberante Gilda Marinho (que não era exatamente uma mulher magra) saiu de minissaia pela Rua da Praia (dizem que ela teria sido a primeira a usar a invenção da estilista Mary Quant na Capital dos gaúchos) e acabou perseguida por uma multidão de homens. Gilda correu e refugiou-se entre as prateleiras da Casa Victor. Mas foi tanto tumulto, que o gerente precisou mandar baixar as cortinas de ferro para que a loja não fosse invadida. Passaram-se horas até que os ânimos masculinos se acalmassem e a jornalista pudesse ir para seu apartamento, no prédio do Clube do Comércio, onde ela morava.
Durante anos, a Casa Victor, na Rua dos Andradas, ao lado do Edifício Santa Cruz, foi uma das mais tradicionais lojas de eletrodomésticos da Capital, com filiais nas avenidas Assis Brasil e Presidente Roosevelt. Com apelos populares como compras a prazo pelo preço à vista ou à vista com descontos especiais, a Casa Victor, cujo slogan era “onde o conforto custa menos”, tinha clientes fiéis. Na década de 1970, as principais concorrentes, como Ibraco, Casa Coates, A Cambial, Incosul, JH Santos ou Hermes Macedo, passaram a dividir a atenção dos consumidores. Nenhuma delas sobreviveu.
Todas as residências, hoje, têm infinitas possibilidades de conforto e de facilidades, assim como são incontáveis as lojas voltadas para equipar as casas. Mas, antigamente, não havia “made in China”, e as alternativas eram em menor número. Muitos porto-alegrenses compraram seus primeiros televisores na Casa Victor. Também foi lá que meu pai e eu adquirimos meu presente de aniversário de quando fiz 15 anos (em 1966): um rádio portátil transistorizado, marca Teleunião, fabricado na Rua Voluntários da Pátria. Outros tempos.


