
Talvez poucos porto-alegrenses saibam que aquela área triangular na confluência das ruas General Lima e Silva, Desembargador André da Rocha, Coronel Fernando Machado e Coronel Genuíno chama-se Praça Marquesa de Sévigné. A ladeira, que sobe em direção aos fundos do Colégio Sévigné, não tem saída e ali é o começo da Rua Coronel Genuíno, que desce rumo ao Largo dos Açorianos.
Antigamente, a via chamava-se Rua da Figueira e seguia ao encontro do Arroio Dilúvio e da Ponte de Pedra. Com a retificação (e canalização) do arroio e, posteriormente, com o prolongamento da Avenida Borges de Medeiros para o Sul, que seccionou sua extremidade e a encurtou, a Rua da Figueira perdeu sua função de acesso àquele riacho. A implantação da Praça Daltro Filho, nos anos 1938/1939, também privou-a de uma face por todo um quarteirão. Mas a questão, nunca resolvida, foi o trecho que ligaria a Coronel Genuíno à Rua Vigário José Inácio, ou a Rua da Figueira à Rua do Rosário, como se dizia no passado.
Segundo Sérgio da Costa Franco, em seu livro Porto Alegre – Guia Histórico, a tentativa de abrir essa parte alta da rua ao trânsito público desenvolveu-se inutilmente, de 1827 a 1843, com sucessivas determinações da Câmara Municipal desrespeitadas pelos proprietários confinantes. Como afirma Costa Franco: “A frustração municipal explica o estreito e ladeirento beco, onde hoje nasce a Rua Cel. Genuíno, atrás do prédio do colégio”.
Em 1874, a Rua da Figueira passou a denominar-se Coronel Genuíno, em homenagem a Genuíno Olímpio de Sampaio, que acabara de morrer na repressão aos Mucker. Em 1889, um abaixo-assinado foi remetido à Câmara, solicitando a designação de um nome para a praça e para o calçamento da face da Rua Coronel Fernando Machado. Entretanto, o pequeno logradouro permaneceu sem nome por muitos decênios: uma planta da cidade, de 1949, ainda lhe dá, arbitrariamente, o nome de Praça Triângulo, nunca oficializado.
Só em 1966 passa a ser denominada Praça Marquesa de Sévigné, em homenagem à Marie de Rabutin-Chantal, Marquesa de Sévigné (1626-1696), um dos espíritos mais brilhantes do século 17, contemporânea de Racine, Pascal e Moliére, destacando-se na literatura francesa como escritora e, indiretamente, ao Colégio Sévigné, tradicional instituição localizada nas imediações da praça.

Em dezembro de 1920, no número 206 daquela rua, foi inaugurado o Cinema Palais, que depois teve o nome trocado para Palácio. Nesse mesmo local, mais tarde, o prédio sofreria uma reforma, passando a funcionar, ali, em 1947, o Cinema Marabá, que tinha 1,8 mil lugares.
Fontes: Porto Alegre – Guia Histórico, de Sérgio da Costa Franco, e Cinema em Porto Alegre 1896-1960, de Carlos Arlindo Adib




