
Motivado por uma matéria sobre competições automobilísticas do passado e carros antigos publicada pelo Almanaque Gaúcho, o leitor Cláudio R. Morgental, de Santa Maria, enviou-nos algumas fotos que remetem à presença, cada vez mais importante, que os automóveis passaram a representar, já há algum tempo, em nossas vidas.
Para o bem e para o mal, é verdade. Se o prazer de dirigir é correto e seguidamente associado à liberdade e à possibilidade que o motorista tem de decidir seu próprio rumo e destino, também não podemos esquecer que, junto com isso, vem um monte de encrencas.
Pelo atual volume de trânsito nas estradas (ou na cidade), o aumento exponencial do número de veículos, as questões de segurança, as obrigações burocráticas (seguro, impostos, eventuais multas), despesas com manutenção, estacionamento, a enorme perda de tempo em intermináveis congestionamentos e a dificuldade em encontrar vaga, as românticas cenas publicitárias acabam soando mais como ironia e já não despertam, como antigamente, a vontade de comprar um carro novo ou melhor.
Não há dúvida de que os jovens de hoje estão dispostos a questionar e a manter uma permanente e desconfiada DR com o modo de se deslocar. É claro e evidente que eles têm razão, mas é, também, uma pena. Tenho a impressão de que modelos e marcas de carros (com exceção dos luxuosos, associados a status) não têm, para eles, nenhuma importância.

Dessa forma, aquele amontoado de lata (plástico?), porcas e parafusos nunca fará parte da história deles como os carros dos nossos pais fizeram da nossa. Aprendi a dirigir num DKW... Meu velho tinha um Simca... A primeira viagem ao Rio de Janeiro foi numa Vemaguet... Por esse motivo, para nós, os mais velhos, um carro antigo provavelmente evoque tanto.

Na minha estante, está exposto o A alado que ornava o capô dos Austins A-40, como aquele que meu pai teve, e olha que esse estava longe de ser um bom carro (risos)! O que me fez comprar um taxímetro Capelinha? Por que gosto de reencontrá-lo em meio às minhas coisas?
Antigamente, me parece, tudo era menos. Talvez por isso, agora, tudo tenha adquirido tanto significado.





