
Reportagem atualizada às 15h10min de quinta-feira (30) com nova programação para sexta-feira (1º), modificada pela organização em razão da previsão do tempo.
Glitter, purpurina e fanfarras no vento gelado anunciam um Carnaval fora de época em Porto Alegre. O Honk!POA – Festival de Fanfarras Ativistas chega à sua 7ª edição com a maior programação de sua história. Ao todo, serão 27 atrações, incluindo coletivos do Uruguai, do Rio de Janeiro e, pela primeira vez, de Curitiba.
O festival acontece desta quinta-feira (30) a domingo (3) em diferentes pontos da cidade, com entrada gratuita [veja programação abaixo]. Grupos de sopro e percussão chegam de vários Estados brasileiros para ocupar praças, a Orla do Guaíba e comunidades com apresentações que misturam ritmos variados.
— A gente vê que conforme o tempo passa, as edições vão passando, o festival vai se profissionalizando em termos de estrutura e vai aumentando o público e as bandas. A própria procura das bandas para vir para cá também aumenta — conta Carolina Pizzato, 38 anos, uma das organizadoras do Honk!POA desde a primeira edição, em 2019, e integrante das fanfarras Avisem a Shana que Sábado vai Chover e Bate Sopra.
Este ano, a programação é a mais extensa já organizada pela equipe, com cerca de 10 atrações a mais do que a edição anterior. Uma das novidades mais aguardadas é a estreia da Ventoleira, fanfarra uruguaia que a organização tentava trazer há anos. Também retorna o grupo Obscênicas, que esteve ausente por algumas edições, e chega pela primeira vez ao Honk!POA um coletivo de Curitiba. Do Rio de Janeiro, vem o bloco Marimbondo Não Respeita com 65 integrantes.
Mais do que música
O Honk!POA não é apenas um festival de fanfarras. Todo ano, no primeiro dia, a programação começa com uma roda de conversa. Na quinta-feira, o debate acontece no Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) e tem como tema O Tempo: a ideia de questionar por que fazer música, tocar, pausar e fruir são vistos por parte da sociedade como improdutividade.
— A gente está debatendo como as pessoas às vezes acham que tu tocar música é perda de tempo, que tu não está produzindo. Então a gente está debatendo as próprias pausas, como é importante tu conseguir pausar para valorizar esse tempo — explica Carol.
Na sexta-feira (1°), as fanfarras saem das praças centrais e levam música para comunidades da cidade: Vila Planetário, Vila dos Ferroviários, no Humaitá, e Quilombo do Machado, no Sarandi — local que o Honk!POA visitou pela primeira vez em 2022 e ao qual retorna agora com sede nova e vínculos mantidos durante todo o ano.
— Não é turismo social. A gente tenta manter um trabalho o ano todo, uma comunicação. No Dia das Crianças eles entram em contato, a gente arranja um bloco para ir tocar lá. A gente já fez festa junina com eles — afirma a organizadora.
Tocar no frio tem segredo
Para quem nunca foi ao Honk!POA, a temperatura pode parecer um obstáculo. Para quem frequenta, já é parte da identidade do festival. Em 2022, centenas de pessoas foram à orla do Guaíba com 10°C para não perder as apresentações. A organização garante que o frio não intimida, só exige preparo.
— A gente avisa bastante as pessoas que vêm de fora. Uma roupa térmica, uma lã e um casaco impermeável para o vento não bater, é suficiente — orienta Carol.
Mas há um detalhe que só quem toca descobre: instrumentos de sopro precisam ser aquecidos antes de soar. No frio, isso leva ainda mais tempo.
— Os instrumentos precisam de muito mais tempo para aquecer. As pessoas ficam meia hora antes só soprando quente dentro do instrumento até ele aquecer. E às vezes acontece de tu começar a tocar e ele dar uma desafinada, porque o instrumento aquece durante a apresentação — conta a organizadora, que acumula as funções de regente de bateria e percussionista.
Como o festival funciona
Parte dos recursos do Honk!POA vem de uma campanha de financiamento coletivo, parte da venda de produtos como camisetas, cartazes e adesivos, e parte de festas de arrecadação. Nenhuma fanfarra recebe cachê para participar, embora a organização mantenha um edital com apoio de custo para grupos que precisam de ajuda com deslocamento e hospedagem.
Os uruguaios da Ventoleira, por exemplo, chegam um dia antes do início oficial para fazer um show pago em Porto Alegre — uma forma de complementar os custos da viagem e tornar a participação viável.
— É bem simples, bem democrático, bem fácil. As bandas não recebem, o financiamento é coletivo. É só chegar e curtir junto — resume Carol.
O que acontece e quando
- Quinta-feira, 30 de abri: Roda de Conversa — a partir das 19h30min, no Simpa (Rua João Alfredo, 61 — Cidade Baixa)
- Sexta-feira, 1° de maio: Apresentações das fanfarras — a partir das 11h, na quadra da Imperadores do Samba, localizada na Avenida Padre Cacique
- Sábado, 2 de maio: Apresentações das fanfarras — a partir das 10h, no Parque da Redenção. A partir das 14h30, serão realizadas atividades nas comunidades Vila Planetário, Vila dos Ferroviários (Humaitá) e no Quilombo dos Machado (Sarandi)
- Domingo, 3 de maio: Cortejo com todas as fanfarras — a partir das 13h30min, com saída do Shopping Total.
Mais informações no Instagram @honkpoa.
*Sob orientação e supervisão de Caue Fonseca.



