Porto Alegre cruzou nesta quarta-feira (5) uma marca trágica desde o início da pandemia. Com a confirmação de nove mortes causadas pelo coronavírus nas últimas 24 horas, a Capital chegou a 406 vítimas. Foi o mais rápido salto na centena de óbitos desde a primeira morte na cidade – apenas nove dias de diferença entre o 300º e o 400º caso.
Foram cem dias até a Capital chegar aos primeiros cem óbitos – a primeira vítima foi registrada em 24 de março, e a centésima, em 2 de julho. Das cem primeiras vítimas ao nível de 200, passaram-se 14 dias – a confirmação do 200º habitante da cidade morto pela doença veio em 16 de julho. Foram mais 11 dias para chegar a 300 mortes, em 27 de julho, e apenas nove a mais para alcançar 400.
— A aceleração das mortes em Porto Alegre, mesmo com a bandeira vermelha, é preocupante. Temos um contexto de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) próximas ao limite e uma circulação intensa do vírus na cidade — afirma Luciano Goldani, infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor da Universidade Federal do RS (UFRGS).
Conforme a Secretaria Municipal da Saúde, a Capital tinha, até a noite de terça-feira (4), 8.778 pessoas infectadas pelo coronavírus e 367 internadas em UTIs com suspeita ou confirmação de covid-19. No mesmo dia, a cidade teve o recorde de mortes diárias pelo vírus, com 21 confirmações.
— Não se pode falar em relaxamento das medidas de restrição neste momento, muito pelo contrário. Talvez a única forma de conter o avanço da pandemia seja o lockdown — avalia Goldani.
Os números se aceleram ao mesmo tempo em que o distanciamento social tem fracassado. Na terça-feira, apenas 40,5% dos porto-alegrenses permaneceram em casa, como pedem prefeitura e autoridades sanitárias – a meta é de 55%.
— Temos falhado nas estratégias de isolamento e diagnóstico, com poucos testes aplicados e muitas pessoas nas ruas. Isso leva a um volume alto de assintomáticos em circulação e mais risco de contágio — avalia o infectologista Ronaldo Hallal, consultor do Comitê Covid-19 da Sociedade Rio Grandense de Infectologia.
Sob seu ponto de vista, a perspectiva de uma reabertura do comércio e dos serviços não-essenciais na cidade na próxima semana é preocupante:
— Uma retomada das atividades fará as pessoas circularem mais, se exporem ao risco, principalmente moradores das periferias que dependem de transporte público. Com isso, a perspectiva é de agravamento das infecções na Capital.




