Especialistas em epidemiologia e infectologia aprovam a decisão do governo estadual de determinar o uso obrigatório de máscara nas ruas ou em pontos de aglomeração em todo o Rio Grande do Sul, mas fazem um alerta. É fundamental promover uma ampla campanha de conscientização e orientação sobre a correta utilização para a medida ganhar eficácia contra a disseminação da covid-19.
— É uma medida acertada, porque cria uma barreira de contenção (para a proliferação do vírus) — analisa o infectologista do Hospital Conceição André Luiz Machado da Silva.
Silva faz a ressalva de que a determinação deve vir acompanhada de outras medidas de esclarecimento à população. Isso inclui orientações sobre como usar a máscara, como higienizá-la e a importância de utilizar esse item de proteção sempre que sair à rua ou entrar em locais de aglomeração.
— A determinação precisa vir com orientação, já que é uma mudança de cultura. Uma parte da população não conseguirá fazer o uso correto sem uma campanha maciça de esclarecimento — observa Silva.
O epidemiologista e consultor do Hospital de Clínicas Jair Ferreira concorda que, do ponto de vista da saúde pública, a medida é positiva em um momento em que poderá haver um maior número de pessoas circulando – e, consequentemente, maior risco de proliferação do coronavírus.
— Qualquer barreira reduz a possibilidade de transmissão. Mas é importante lembrar que não conseguimos evitar 100% o risco, já que há muitas formas possíveis de contaminação — afirma Ferreira.
O epidemiologista lembra que ainda é preciso esclarecer melhor como será a fiscalização, detalhar onde será obrigatório o uso do material, entre outros pontos. Ferreira também acredita que é importante prestar atenção na parcela da população mais pobre que tem dificuldade de adquirir máscaras por conta própria.
— Temos 11 milhões de habitantes, acho pouco provável que o governo vá distribuir 11 milhões de máscaras. É importante ver como fica a situação de quem não tem — diz o consultor do Clínicas.
Silva lembra algumas recomendações básicas: dar preferência a materiais 100% algodão ou de algodão com poliéster, camada dupla, elástico ou fio para amarrar a máscara ao redor da cabeça. Em relação a comportamento, evitar tocar a frente da máscara, trocá-la se ficar úmida e fazer a descontaminação após o uso.
Durante a transmissão ao vivo via Facebook em que anunciou a medida, o governador Eduardo Leite não chegou a detalhar questões sobre a forma da fiscalização, eventuais punições a quem descumprir a norma ou que outras ações serão adotadas para ampliar a eficácia do uso de máscaras.



