
Idosos e pessoas com comorbidades integram o chamado grupo de risco do coronavírus, ou seja, esses pacientes têm mais risco de desenvolver um quadro clínico grave e a taxa de letalidade entre eles é significativamente maior. Entre os principais fatores associados a complicações da doença, está o diabetes.
João Eduardo Salles, diretor da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e professor da Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo, explica a presença dos pacientes com diabetes neste grupo:
— Existe a tempestade de citoquinas (substâncias inflamatórias que o próprio organismo produz) nos pacientes com diabetes, o que é intensificado pela presença do coronavírus. Além disso, o vírus exacerba o estado de coagulação, condição com a qual os diabéticos convivem porque a hiperglicemia favorece alterações nos vasos sanguíneos.
Beatriz Schaan, médica endocrinologista professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), explica que o diabetes, principalmente quando não está controlado, faz com que as pessoas sejam mais suscetíveis a infecções.
— É bem importante saber que (a covid-19) é uma doença nova e que esses dados foram gerados de outras populações. Em geral, a pessoa com diabetes tem piores desfechos quando ela tem alguma infecção, e é o que está aparecendo em relação à covid-19 — relata a médica.
A endocrinologista esclarece que não há como afirmar se uma pessoa com diabetes bem controlado sofrerá menos do que aquela com diabetes não controlado, pois até o momento só há uma analogia baseada em outras infecções respiratórias. Mesmo assim, João Eduardo Salles ressalta a importância de controlar o diabetes, medindo a glicemia e mantendo a monitoração diária.
— Ter essa noção do controle do diabetes é fundamental, porque o diabetes é uma doença silenciosa e às vezes as pessoas nem sabem se estão bem controladas ou não — reforça o professor.
Há diferença entre tipo 1 e tipo 2?
O diabetes tipo 1 é aquele que acomete, geralmente, crianças e jovens e existe uma falta absoluta de insulina. Já o diabetes tipo 2 aparece em adultos com mais de 35 ou 40 anos, normalmente associado ao sobrepeso, e também gera alterações na produção de insulina. São doenças caracterizadas pela glicose alta no sangue.
Até o momento, não existe diferença de risco quanto a complicações da covid-19 no diabetes tipo 1 e tipo 2. Segundo Beatriz Schaan, não é esperado que essa distinção aconteça, já que a glicose alta é semelhante nos dois tipos.
Pré-diabetes também é grupo de risco?
A endocrinologista explica que pré-diabetes é quando se tem um aumento da glicose menor do que aquele em que se faz o diagnóstico do diabetes. Esses pacientes têm mais chances de desenvolver o diabetes tipo 2, além de complicações cardiovasculares. João Eduardo Salles afirma que é preciso ficar atento, principalmente, se o pré-diabetes estiver associado à obesidade.
— A obesidade é outra doença silenciosa, que também está surpreendendo a gente na pandemia. Os pacientes com obesidade têm uma taxa de mortalidade que não desprezível, é um fator de risco de que as pessoas estão falando muito pouco — salienta o professor.
Quais os cuidados necessários?
Além das regras de higiene, os especialistas citam o distanciamento social como uma das medidas mais importantes a serem adotadas por diabéticos.
Salles reforça a necessidade de manter o diabetes controlado, sem parar com o uso dos medicamentos:
— Algumas pessoas pensam que remédios em excesso podem diminuir imunidade, mas não existe isso, o que diminui a imunidade é ter a glicose elevada.
Beatriz também chama a atenção para um cuidado extra com a saúde mental, considerando que as pessoas com diabetes têm, em geral, um perfil mais propenso à depressão e ansiedade:
— Como sugerimos que o paciente com diabetes fique em casa, ele tem consultado menos ou feito consultas virtuais. Então, esses pacientes ficam mais "abandonados" devido ao isolamento.
As atividades físicas regulares são grandes aliadas.
— Na impossibilidade disso, talvez esses pacientes precisem aumentar seus medicamentos, suas doses de insulina — aponta Beatriz.
*Produção: Jhully Costa

