
A Praia da Joaquina, em Florianópolis, conhecida por ser uma das preferidas dos surfistas, foi classificada na sexta-feira (16) como imprópria para banho pela primeira vez desde outubro de 2024, segundo o relatório do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), publicado no g1.
A coleta da amostra de água do mar foi feita na terça-feira (13), onde choveu fraco no dia anterior. A presença da bactéria Escherichia coli, presente nas fezes humanas e de outros animais, foi de 1.386 por 100 mililitros de água.
Quando um local é considerado impróprio para banho?
O IMA considera um local impróprio para banho em duas situações:
- quando, em mais de 20% de um conjunto de amostras coletadas nas últimas cinco semanas, a presença da bactéria for superior a 800 por 100 mililitros;
- quando o resultado for superior a 2 mil Escherichia coli por 100 mililitros na última coleta.
No caso da Praia da Joaquina, em duas das últimas cinco coletas a presença da bactéria atendeu ao critério do IMA:
- 13 de janeiro de 2026 — 1.376 por 100 mililitros
- 6 de janeiro de 2026 — 10 por 100 mililitros
- 29 de dezembro de 2025 — 1.112 por 100 mililitros
- 16 de dezembro de 2025 — 10 por 100 mililitros
- 10 de dezembro de 2025 — 62 por 100 mililitros
Impacto no surfe
Em entrevista para o g1, Emerilson Gil Emerim, biólogo da Associação de Surf da Joaquina, falou que o resultado da coleta foi motivo de preocupação para os surfistas "porque o único ponto de lançamento de águas de drenagem que a gente tem é o da rua, na entrada da praia".
Com a classificação, existe risco para os banhistas e surfistas que frequentam a praia, como "as famosas viroses e as infecções de verão".
A associação também ressaltou que a prefeitura deve reforçar a fiscalização do saneamento básico nos estabelecimentos próximos da praia para avaliar como está o tratamento dos efluentes.
Emerilson destacou que "o restante da praia é todo selvagem" e faz parte de uma unidade de conservação com "histórico longo de prática de esportes aquáticos e qualidade de vida".
Posicionamento do IMA
O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina disse que o local da Praia da Joaquina possui um histórico de boa qualidade da água, o que explica o intervalo desde o último registro de mar impróprio.
Os resultados isolados desse tipo de local costumam estar relacionados a fatores temporários como a chuva, segundo o IMA. A alteração na balneabilidade tende a ser temporária e se dissipa naturalmente, à medida que as condições climáticas normalizam e a água se renova.
O IMA ainda destacou que o boletim de balneabilidade não indica uma condição permanente, mas que reflete uma situação observada no instante da coleta da amostra de água.
O que diz a prefeitura
Em nota, a Prefeitura de Florianópolis se pronunciou sobre o assunto:
A Prefeitura de Florianópolis, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, informa que a alteração registrada na balneabilidade trata-se de uma situação pontual. Historicamente, o ponto é classificado como próprio para banho. As últimas cinco análises foram realizadas após eventos de alta pluviosidade, condição que pode, eventualmente, provocar a piora temporária da balneabilidade, uma vez que as chuvas intensas podem carregar poluentes em direção ao mar.
Nesta terça-feira (20), será realizada nova coleta, com divulgação do resultado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA). A expectativa é de que o local volte a ser classificado como próprio para banho. A Prefeitura ressalta ainda que o local segue sendo acompanhado de forma permanente, conforme os relatórios emitidos pelo IMA. Ao longo de 2025, a área também passou por inspeções técnicas por meio da Blitz Sanear, ação integrada de fiscalização voltada à identificação de ligações irregulares e lançamentos indevidos na rede de drenagem.



