
A cidade de Bombinhas, em Santa Catarina, conhecida por suas praias paradisíacas e por cobrar uma taxa ambiental de visitantes que pode chegar até R$ 200, registrou 409 casos de diarreia entre 29 de dezembro de 2025 e 4 de janeiro de 2026. Os dados são da Secretaria do Estado da Saúde (SES-SC), publicados pelo g1.
O número representa um aumento de 370% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram registradas 87 ocorrências.
O que pode causar diarreia?
De acordo com o Ministério da Saúde, a diarreia pode ser causada por diferentes microrganismos infecciosos (bactérias, vírus e outros parasitas, como os protozoários) que geram a gastroenterite, uma inflamação do trato gastrointestinal que afeta o estômago e o intestino.
A infecção é causada por consumo de água e alimentos contaminados, contato com objetos contaminados e também pelo contato com outras pessoas, por meio de mãos contaminadas, e contato de pessoas com animais.
Poluição na praia
O aumento da população em Bombinhas ao longo dos anos tem gerado problemas relacionados ao despejo de esgoto no mar, construções irregulares e dados negativos de balneabilidade nas praias. Em 9 de janeiro deste ano, 8 dos 17 pontos analisados pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) estão impróprios para banho.
No verão, Bombinhas recebe mais de 2 milhões de visitantes, aumentando a população de 25 mil moradores em até 18 vezes.
Em entrevista para o g1, Luana Siewert, CEO do Trata Brasil, explica que o número grande de turistas na praia gera um maior volume de esgoto que, sem tratamento, "naturalmente há uma maior contaminação do mar e possibilidade de aumento dessas doenças gastrointestinais".
Durante essa semana, vídeos de materiais supostamente sendo despejados no mar na praia de Quatro Ilhas, que tem o selo de Bandeira Azul, repercutiram nas redes sociais. Moradores organizaram uma manifestação na segunda-feira (12).
Já a empresa Águas de Bombinhas, responsável pelo tratamento de esgoto da cidade, explicou ao g1 que "os materiais encontrados na areia da praia nada mais eram do que sedimentos arenosos alocados dentro das tubulações de drenagem pluvial". De acordo com a empresa, apenas 18,21% da cidade está conectada à rede de coleta e tratamento, o que equivale a cerca de 4,5 mil moradores.
Posicionamento da prefeitura
Em nota, a prefeitura de Bombinhas informou que a inconsistência nos dados sobre os casos de diarreia foi identificada a partir da análise dos prontuários médicos e do volume de atendimentos clínicos compatíveis com quadros de diarreia aguda, que não estariam registrados propriamente nos sistemas oficiais.
"Dessa forma, o aumento observado no número de casos notificados não deve ser interpretado, de forma isolada, como um agravamento real do cenário epidemiológico, mas sim como um reflexo direto da melhoria na qualidade da vigilância, da ampliação da detecção e da redução da subnotificação anteriormente existente", diz a nota.
A cidade ainda informou que promoveu uma reformulação do sistema de monitoramento e notificação para "garantir maior precisão, sensibilidade e confiabilidade dos dados epidemiológicos".
Entre as medidas adotadas, estão:
- Padronização dos registros;
- Orientação das equipes de saúde quanto à notificação correta dos casos;
- Aprimoramento dos instrumentos de coleta de dados.
Bombinhas
Com apenas 34,5 quilômetros quadrados — a menor extensão territorial do Estado — Bombinhas tem cerca de 67% do território coberto por áreas verdes e abriga três unidades de conservação.
Conhecida como a Capital Nacional do Mergulho Ecológico, a cidade reúne 39 praias, cinco delas com certificação internacional Bandeira Azul, considerada o “Oscar das Praias”.




