
O fim de ano sempre pede uma viagem, seja um curto caminho dentro do Rio Grande do Sul ou até mesmo atravessar a fronteira e explorar outros países. E, para quem não vai pôr em prática o desejo nesta virada para 2026, o momento pode servir para traçar projetos futuros.
— Para economizar em viagem no geral, tem que pesquisar, se organizar, entender o lugar, porque a conveniência sempre vai ser mais cara — já adianta a executiva comercial de mídia Priscilla de Azevedo Lopes, 36 anos.
Ela e o marido, o analista de TI Leonardo Menezes, 38, mantêm a comunidade Barbadas pelo Mundo, com grupos e redes sociais, onde compartilham promoções e dicas.
Como explicam, o primeiro passo para a economia dentro do Brasil ou pelo mundo é saber as opções de transporte, qual o preço médio e qual o período mais em conta para viajar. Para passagens de avião, sites e aplicativos como Google Flights e Skyscanner podem ajudar no estudo.
O que você vai encontrar nesta reportagem
Viajar com o filho
A escolha de hospedagens depende do perfil dos viajantes. Quando apenas em casal, Priscilla e Leonardo costumavam ficar em hotéis, buscando uma localização que se aliasse ao roteiro. Após o nascimento do filho, a opção foi por locações via Airbnb para ter maior infraestrutura.
Além desta plataforma, Booking.com e Hoteis.com estão entre as sugestões do casal de Porto Alegre para pesquisa. Eles indicam também a troca de informações entre viajantes.
— A viagem com criança exige mais pesquisa, porque o perrengue, se acontece, se torna muito maior — destaca Leonardo.
Para alimentação e passeios, a dica é organizar um roteiro, contando com a ajuda de plataformas, como Google Maps, para encontrar restaurantes próximos ao local a ser visitado, uma vez que a ferramenta oferece, inclusive, o preço médio praticado pelo estabelecimento escolhido.
Conhecendo o RS
Com mais de 700 mil inscritos no YouTube, o documentarista gaúcho Diogo Elzinga, 35 anos, mostra um Rio Grande do Sul pouco conhecido. Com a experiência, ele brinca:
— Faz 10 anos que estou produzindo conteúdo sobre o Rio Grande do Sul e todas as vezes em que penso: "Ah, vou começar a fazer alguma coisa sobre Santa Catarina", eu descubro mais um lugar sobre o nosso Estado. E aí penso: "Vou ficar aqui preso pra sempre", mas preso num bom sentido.
Para os gaúchos que querem viajar, ele dá a letra: comece pela própria cidade, talvez pelo interior do município, ou vá para alguma cidade ao lado sobre a qual ninguém falou ainda.
Diogo gosta de viajar de carro para ter maior flexibilidade para descobrir a região. Quando há a possibilidade, ele prefere conhecer os lugares em dias úteis, em vez dos fins de semana, e assim garantir locais mais vazios e maior oportunidade para falar com moradores do município.
Como dicas de cidades que se destacam pela beleza e por serem em conta no Estado, o criador de conteúdo cita São José dos Ausentes, na Serra, e Morrinhos do Sul, no Litoral Norte.
Curtindo sozinha
A carioca Maryana Teles, 34 anos, tem endereço fixo em Portugal, mas mês a mês viaja para algum lugar pelo mundo, levando grupos ou encarando a jornada sozinha. A experiência, que faz parte da rotina há 12 anos, é compartilhada nas redes sociais e no site Vida Mochileira.
Para mulheres que querem viajar sozinhas, ela indica que sigam a intuição, estejam sempre com internet, compartilhem localização e roteiro com algum familiar ou amigo e evitem falar para desconhecidos que estão viajando sozinhas.
Segundo Maryana, uma dica que vale para qualquer pessoa em busca de economia é não chegar diretamente no país de destino.
— Ao invés de você querer chegar lá direto de avião, às vezes pode ser interessante fazer o trajeto de ônibus, de trem, e às vezes até mesmo conhecer algum país ou cidade no meio do caminho, que também acaba acrescentando mais uma experiência — explica.
Em relação a hospedagens, os hostels são uma alternativa. Esse é um tipo de acomodação que oferece, por exemplo, quartos compartilhados. No caso de locações via Airbnb, a sugestão de Maryana é optar por lugares fora do centro das cidades, mas perto de transporte público.
Conforme a viajante, outras três modalidades também permitem economia:
- Voluntariado em projetos que oferecem hospedagem gratuita e, por vezes, alimentação
- Pet sitting, o serviço de "babá de pet", em que a pessoa pode ficar na casa de algum morador, enquanto este está fora
- A plataforma Couchsurfing permite que viajantes fiquem em algum espaço na casa de moradores — até mesmo, com um colchão na sala
Em qualquer um dos casos, é essencial ler as avaliações e confirmar a segurança do lugar.
Quando o assunto é passeio, a criadora de conteúdo não hesita em falar sobre as caminhadas turísticas gratuitas. A plataforma Get Your Guide é uma das indicadas por ela para quem quer saber eventos e experiências disponíveis nas regiões.
Para alimentação, uma dica da viajante é o aplicativo Too Good To Go, que conecta consumidores com estabelecimentos que têm excedente de comida não vendida.
Fugindo do óbvio
A porto-alegrense Marina Guaragna, 31 anos, talvez não lembre mais o que é ter um endereço fixo. Desde 2020, ela leva uma vida nômade. Nas redes sociais, compartilha as experiências junto ao parceiro William Magnus Ritt, 41 anos.
Na avaliação de Marina, o jeito mais barato de se locomover é com ônibus ou trem, seja para cruzar fronteiras, seja para viajar dentro de um país. Para passeios, ela também indica alugar um carro e fazer os trajetos por conta própria. E, em relação à alimentação, conta que há países, como na Ásia, em que até mesmo a comida de rua tem um preço reduzido.
— Às vezes, a pessoa compra uma passagem barata para os Estados Unidos, para a Europa, mas vai em um país que é tão caro que, no sudeste asiático, ela viveria lá que nem uma rainha, gastando o mesmo, só que mais na passagem e menos em hospedagem, comida, transporte — compara Marina.
Para quem quer viajar para fora do Brasil sem gastar tanto, as indicações dela incluem Bolívia, Vietnã e Índia:
— Índia é o país mais barato em que já fomos na vida, nada se compara, mas aí é para quem quer uma grande aventura — pontua.


