
São mais de 400 mil seguidores só no Instagram e uma descrição que resume a história: "Vendi tudo, peguei celular e parti pro mundo". Essa é a vida de Rachel Pena Lima Bortolin, 69 anos.
Com simplicidade, boa dose de humor, uma risada contagiante e o batom quase sempre presente, ela compartilha vivências no perfil @nomaderachel nas redes sociais.
Desde 2022, quando se aposentou, passou a viajar sozinha pelo mundo, acompanhada da mala e de uma máquina de costura.
Há pelo menos 15 anos, Rachel decidiu que teria a vida que leva hoje. Para tirar o plano do papel, guardou dinheiro enquanto trabalhava na Justiça, fez uma poupança, juntou milhas e vendeu casa, carro e duas motos.
— Tudo que eu fazia era pensando na aposentadoria, porque eu me aposentei no dia 22 de maio e, no dia 23 de maio, eu estava voando — lembra.
Onde já esteve
Depois da aposentadoria, o primeiro lugar que visitou foi Galinhos (RN), onde ficou por seis meses. Depois, no mesmo Estado, passou um tempo em São Miguel do Gostoso.
América do Sul e do Norte, além de Europa, com passagens por Portugal, Espanha, França, Alemanha e Suíça, além de Marrocos, na África, e Tailândia, na Ásia, são alguns dos lugares por onde já passou.
Aliás, a Tailândia é "o lugar", na avaliação da viajante. Os limites de tempo para estadia enquanto turista fizeram Rachel adotar uma alternativa:
— De ano em ano, eu vou passar três meses na Tailândia. Por quê? Nossa, eu tenho um "livro" para falar da Tailândia, de coisa boa.
Segundo ela, a valorização da moeda brasileira, a sensação de segurança, a comida e o povo justificam a escolha do país como o preferido.
— Eu "varri" a Tailândia porque o ônibus era baratérrimo, era R$ 8 — completa, aos risos.
Como é a rotina
Rachel diz viver com a aposentadoria, com as permutas que a rede social a possibilita e com a ajuda de seguidores e de moradores dos locais que visita. Os "seguimores" (como prefere chamar, carinhosamente) a oferecem estadia e comida.
— Estou indo para tudo quanto é canto. Gosto de ficar uns três meses em cada país, que é o limite de turismo. Mas, nesses três meses, fico como "moradora local", procurando economizar bastante, em lugares bem simples, que tenham fogão, cama e chuveiro. É só isso que me interessa. E o resto, eu vou vivendo, passeando de ônibus, de trem, de barco — explica.
Uma parceira de viagem é a máquina de costura — por meio dela, a viajante destaca já ter feito amizades, costurando gratuitamente por onde passa.
Tudo planejado
Quem pensa que o novo estilo de vida não inclui planejamento está bem enganado. A aposentada tem agenda pronta até 2028, com os lugares para onde quer ir e como se hospedará.
Ela descreve o plano para 2026:
— Vou passar o mês de janeiro na costa pacífica da América do Sul. Depois, eu vou entrar em Corumbá, em fevereiro, e vou ficar até dezembro, visitando todos os Estados do Brasil. Tudo agendado.
Em 2027, quer voltar à Europa e planeja ir ao Japão. Em 2028, vai viajar para Groenlândia, Irlanda e Holanda.
O que motivou Rachel nessa empreitada pelo mundo foi o desejo de conhecer os países para além do turismo.
Quem é Rachel
Rachel nasceu em Poços de Caldas (MG), em uma família de seis irmãos. Em Rio Claro (SP), casou-se e atuou em diferentes profissões. A viajante tem três filhos e três netos, que hoje moram no Havaí (Estados Unidos), em Lisboa (Portugal) e em Rio Claro (SP).
Quando se aposentou, Rachel fez a "festa do bota-fora", como apelidou.
— O bota-fora não foi das coisas, foi da minha pessoa mesmo, que ia sair fora de lá e não ia voltar mais. Eu convidei 60 pessoas e fizemos uma festa — esclarece, com bom humor.
De 2022 para cá, ela percebe que a vida ganhou mais alegrias.
— O meu cartão de crédito, quando eu trabalhava, estava sempre estourado. Era um tal de comprar isso, de verificar aquilo, de ver mecânico, de pagar isso. Acabou — compara.
Desde que se aposentou, passou a publicar sobre as viagens no Instagram, para os amigos.
Mas um fato em Lisboa fez com que um vídeo seu viralizasse: ela esqueceu uma sacola com queijos, peixe e vinho em uma praça e foi lembrar somente meia hora depois. Para a sua surpresa, quando voltou à praça, a sacola seguia por lá.
— Eu fiz um vídeo aloprada: "Gente, tô chocada, olha o que aconteceu". Botei isso e aí viralizou. Os portugueses amaram — lembra.
Para quem pensa em levar uma vida nômade, Rachel dá a letra: desapegar de roupas e calçados e acostumar-se a não gastar.
A aposentada planeja seguir viajando até os 78 anos, quando, então, pensa em fixar endereço no nordeste brasileiro. Mas, rindo, ela pondera:
— Eu não sei. Não quero parar nunca.

