
Quem vai quase sempre volta. A experiência é tão intensa que o professor Ricardo Annes já percorreu o Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, sete vezes, e não o fez pelo certificado oficial da Igreja Católica.
Assim como ele e sua companheira, Dulce Maria, ou a aposentada Márcia Henkes, milhares de viajantes buscam nas antigas rotas de peregrinação europeias – como Lourdes, na França, Assis e Vaticano, na Itália – algo que o turismo convencional raramente oferece: uma profunda conexão humana, a superação de limites físicos e uma "paz interior" que independe de religião.
Aos que terminam o caminho, a Igreja Católica oferece um certificado que depende do cumprimento de alguns requisitos. A Credencial do Peregrino, por exemplo, precisa ser carimbada em albergues e paróquias pelo caminho.
Além disso, o viajante deve ter percorrido, no mínimo, 100 quilômetros a pé ou a cavalo, ou 220 quilômetros de bicicleta. A motivação para o percurso também precisa ser religiosa ou espiritual.
O professor Ricardo Annes, apesar de não seguir nenhuma religião, ficou encantado com a história do Caminho de Compostela quando, em 1998, durante uma viagem à Europa, aceitou o pedido de um amigo para colher informações sobre o local.
Aquilo marcou o início de sua preparação para percorrer pela primeira vez o Caminho Francês.
– Por ter uma ótima infraestrutura, apesar das cidades pequenas, esse caminho era o mais confortável para mim naquele momento. Tenho paixão pela caminhada, e poder trocar com as pessoas ao longo do trajeto são os melhores momentos da viagem – aponta Annes, que voltou outras três vezes a essa rota e também já percorreu a jornada pelo Caminho do Norte e pelo Primitivo.

Após uma primeira experiência solitária, o professor contou com a companhia da esposa, Dulce Maria Freitas Annes, nas jornadas seguintes.
Assim como o marido, ela destaca que a energia do local e a interação com outros caminhantes rendeu os melhores momentos da aventura.
– Não falo outro idioma, mas mesmo assim consigo me comunicar com todos. Há um respeito e uma união incrível nos albergues, onde todos colaboram para que cada um possa seguir o Caminho da sua forma, seja sozinho ou em grupo – lembra Dulce Maria.
Ricardo Annes acredita que a tecnologia, com guias digitais e GPS, além dos aplicativos de mobilidade, facilitam hoje o percurso, apesar dos terrenos íngremes em alguns pontos.
Ele também ressalta que não há nenhum problema em fazer pausas mais longas ou mesmo pegar um táxi para realizar parte do trajeto.
O professor lançou o livro Histórias do Caminho, no qual registra suas andanças por lá. Há, inclusive, um exemplar da obra na biblioteca da Catedral de Compostela, um dos pontos finais do trajeto.

A busca por lugares de bênçãos
Apaixonada pela forte energia de Santiago de Compostela, a aposentada Márcia Henkes, moradora de Mato Leitão, no Vale do Rio Pardo, pretende voltar à cidade espanhola.
Ela cresceu em uma comunidade com pessoas de muita fé e sempre incluiu catedrais e outros espaços de oração em seus roteiros.
Apesar de ainda não ter percorrido a rota de peregrinação, Márcia guarda com carinho a experiência que teve no local.
– Senti uma paz interior muito grande. Há uma aura especial, pois é um lugar que guarda parte importante da história do apóstolo Tiago. Pretendo voltar novamente, pois foi uma viagem inesquecível – afirma.

Outros destinos que Márcia pretende rever são as cidades de Assis, na Itália, local de devoção a São Francisco e Santa Clara, e Lourdes, na França. No território francês, a tradição católica recorda as aparições da Virgem Maria à Santa Bernadete, em 1858.
O vasto complexo religioso do santuário é centrado na Gruta de Massabielle, onde brota a famosa fonte de água considerada milagrosa. O local também abriga diversas basílicas e igrejas, além das piscinas, que são os locais específicos para os peregrinos se banharem.
– Quero voltar ao Santuário de Lourdes com a minha irmã, pois tem um significado muito importante para a nossa história. Há uma energia que nos lembra a infância, quando íamos à igreja da nossa comunidade. Todo o complexo é lindo, e encontramos pessoas de todas as idades e crenças, pois é uma viagem que vai além da religião. Poder expressar a nossa fé nesses espaços sempre renova nossas energias – conclui Márcia.
Roteiros a partir de Porto Alegre
Na Europa, há ainda outros destinos muito procurados por peregrinos. Os roteiros mais acessados geralmente se concentram em polos de fé de Portugal, Espanha e Itália.
A jornada, partindo de Porto Alegre, costuma ter como destino Lisboa ou Madri, que funcionam como hubs de conexão.
O Santuário de Fátima, em Portugal, tem fácil acesso por trens ou ônibus, com preços a partir de R$ 90, dependendo do trecho.
Na Itália, o centro da peregrinação é a Cidade do Vaticano, em Roma. Por causa da alta procura, os custos nestes locais são mais altos. Uma passagem aérea de Porto Alegre para Roma varia entre R$ 4,5 mil e R$ 7 mil.

As principais atrações, como a Basílica de São Pedro e as missas papais, são gratuitas, mas os Museus do Vaticano e a belíssima Capela Sistina têm ingressos a partir de R$ 120.
O planejamento de rotas integradas, como a combinação Lisboa-Fátima-Santiago, otimiza o tempo e permite vivenciar a diversidade da fé europeia em uma única viagem.
Pacote Seguindo São Francisco
É um roteiro por cidades italianas em que os primeiros dias são dedicados a explorar Roma e o Vaticano, incluindo a participação em uma Audiência Papal.
A jornada segue por Roccaporena e Cássia, ligadas à história de Santa Rita, e depois passa por Assis, terra natal de São Francisco. A peregrinação termina com uma missa em Greccio.
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