Água calma, cenário de cartão-postal e muito natureza ao redor. Escondida em Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, a Praia D’água ainda passa longe do roteiro mais famoso dos turistas. Mas, quem chega por lá encontra silêncio, calmaria e uma paisagem encantadora.
O local é acessível apenas por trilhas. O secretário de Turismo, Cultura e Inovação de Imbituba, Jackson José Loro, resume bem o espírito do lugar:
— A Praia D’água simboliza exatamente o que Imbituba tem de mais especial, que é a natureza exuberante, preservação e experiências que conectam o visitante ao território.
Na última temporada, a região de Imbituba recebeu cerca de meio milhão de visitantes, conforme informações da secretaria, número que evidencia a força do turismo na cidade. A alta temporada, entre dezembro e janeiro, concentra o maior fluxo, mas o município trabalha para atrair visitantes também no inverno.
— Nosso desafio é transformar Imbituba em uma cidade de turismo o ano inteiro. Isso movimenta a economia, gera empregos e fortalece diversos setores, da hospedagem ao comércio — afirma o secretário.
Com praias onde a preservação é parte da identidade — como a própria Praia da D’água, a Praia do Rosa e a Barra de Ibiraquera — o planejamento tem sido cuidadoso.
O secretário também comenta os próximos passos:
— A nossa meta é transformar Imbituba em referência mundial no avistamento de baleias. Já somos a Capital Nacional da Baleia-Franca e vamos elevar essa identidade a um novo patamar com ações estruturadas e de longo prazo.
Quem vive a Praia D’água desde criança
A Praia D’água faz parte da história de quem se criou por lá. A artesã Luciana Correa Monteiro, 50 anos, chegou à Praia do Porto, localizada a cerca de dois quilômetros da Praia D’água, aos oito anos, depois de se mudar de Blumenau com a família:
— Eu me criei ali. Meus pais gostavam muito de trilhas, então a gente vivia fazendo o caminho da Praia do Porto até a Praia D’água. Meu pai pescava lá, tinha a fonte de água doce, onde os pescadores represaram com pedras.
Ela ainda relembra de uma das lendas locais, contada por seu pai e outros pescadores:
— Dizem que quem toma da fonte da Praia D’água, sempre volta.
Hoje, Luciana segue frequentando o lugar. Vai com os filhos, com a neta e às vezes acampa. Para ela, é um momento de reunião de família.
— A praia é linda. Os morros vertem água, por isso o nome. E lá no final tem uma área mais seca, onde a gente faz piquenique — conta.
Mesmo com o apelo natural, o acesso por trilha mantém a Praia D’água mais silenciosa, mesmo no verão, pois é pouco frequentada por turistas:
— Tem muito da cultura daqui: a pesca artesanal, os mirantes da tainha, as histórias da comunidade. Até a pedra do desejo, dizem que se jogar uma pedrinha e ela ficar lá em cima, o pedido se realiza —conta, rindo.
Entre pescas, acampamentos e histórias antigas
Nilson da Silva Martins, 50 anos, é outro morador que carrega a Praia D’água na memória desde cedo. Ele nasceu em Imbituba e ajudava o seu pai na pesca.
Ele conta sobre a bica de água doce, mantida pelos moradores, e do jeito quase intocado da região:
— É uma praia fechada, não vai carro, não vai moto. Parece um lugar separado do mundo.
O pescador também conta que ir para a praia era sinônimo de união com a família.
— Ficávamos quatro, cinco dias. De manhã meu pai tirava marisco, à tarde curtíamos a praia, à noite íamos para a barraca. Era a nossa forma de juntar a família — relembra
Nilson continua pescando na Praia D’Água e mora próximo do local. Faz mergulho, pesca subaquática e gosta de passar o dia na água doce que desce do morro.
O destino é um dos raros pontos do litoral, onde baleias aparecem no inverno, onde a pesca da tainha segue viva e as famílias mantêm construindo memórias simples — e duradouras — à beira do mar.
*Produção: Ana Júlia Santos