
Uma linha de ônibus que sai do Brasil tem chamado a atenção nas redes sociais pela rota e pela extensão. O trajeto vai do Rio de Janeiro a Lima, no Peru. Segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), essa é a maior linha cadastrada, com uma extensão de 6.164 quilômetros. A operação é feita pela empresa Viação Trans Acreana.
Nas redes sociais, usuários têm compartilhado como é a experiência de viagem. Um deles é o produtor de conteúdo Luiz Mastropietro (veja um dos vídeos abaixo), que fez o trajeto junto à esposa, motivado por criar uma série episódica nas redes sociais.
Para Luiz, a viagem foi cansativa, mas, ao mesmo tempo, curiosa pelas mudanças de vegetação, temperatura e relevo ao longo caminho. A altitude e a pista sinuosa na região da Cordilheira dos Andes foram a parte mais desafiadora, como descreve. Em comparação a viagens de avião, ele destaca a relação que se cria com desconhecidos. O ônibus acaba "virando uma família":
— No final da viagem, parece que você conhece essa pessoa há anos. Acho que são dias muito intensos que você passa ali, enclausurado dentro de um ônibus.
Mas, dentro do Brasil, qual será a linha mais longa?
Conforme levantamento da ANTT, feito a pedido de Zero Hora, a viagem mais longa sai de Porto Alegre e vai a Santarém, no Pará. São 4.548,31 quilômetros, de acordo com dados da agência extraídos em 24 de setembro deste ano. As informações integram o Sistema de Gerenciamento e Monitoramento de Autorizações (Sigma).
Veja o ranking completo e os trajetos aproximados:
Do RS ao Pará: uma rota de Sul a Norte do Brasil
A linha de ônibus que vai de Porto Alegre a Santarém, no Pará, passa por seis Estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Pará (confira o mapa detalhado abaixo). O trajeto dura três dias.
O custo de ida de uma ponta a outra é de R$ 2008,99, em média, de acordo com a Ouro e Prata, empresa que gerencia a linha.
Mas, como esclarece Luciano Lunardi, gerente comercial da companhia, a maioria dos passageiros desce ou sobe ao longo do caminho. Por conta disso, o valor médio pago pelos clientes é de R$ 324. Para a empresa, o forte da linha está justamente nesta renovação dos viajantes durante o trajeto.
— O passageiro de ponta a ponta existe, mas é muito mais difícil. Tu sair, por exemplo, com uma capacidade de meio ônibus de Porto Alegre a Santarém... quase não existe. Aparecem, por mês, oito a 10 passageiros. Mas a linha é muito forte no conceito de renovação, o sobe e desce — explica.
Conforme a Ouro e Prata, de janeiro até outubro de 2025, foram ao menos 93 passageiros que fizerem o trajeto de ponta a ponta, ou seja, de Porto Alegre e Santarém ou vice-versa. No mesmo período do ano anterior, foram 70.
Partidas, paradas e trocas de motorista
O gerente comercial explica que, todos os dias, são seis partidas: três de Porto Alegre e três de Santarém. Conforme a Ouro e Prata, o ônibus para em 51 cidades. As paradas tendem a ser em horários próximos a refeições e em lugares que servem como ponto de apoio, com restaurante e suporte para limpeza e eventual manutenção do veículo.
Dentro do ônibus, os passageiros têm à disposição água, carregadores para celular e internet via satélite. A primeira viagem da linha foi em agosto de 2006.
O veículo, que é o mesmo ao longo de todo o trajeto, é de tipo semileito, com bancos com descanso para pés, e tem 44 lugares. Segundo Lunardi, a frota foi renovada no último ano. O gerente comercial esclarece, ainda, que há troca de motorista a cada 400 quilômetros, em média.



