
Uma minivan e a vontade de viajar fazem parte da história do empreendedor Alison Nunes Calazans, 33 anos. Ele está transformando uma Rely Van ano 2014 em um mini motorhome. Esse processo, que busca ter o menor custo possível, soma milhares de visualizações no TikTok. A meta é que a reestruturação termine em novembro.
Com o sonho de chegar à Patagônia, no sul do continente, a bordo do veículo, Alison lembra que não imaginava viajar por milhares de quilômetros.
— Pensei em comprar uma minivan que desse para trabalhar e acampar. No início, a ideia era fazer acampamento a 500 quilômetros de Brasília. Não tinha ideia de estrutura para montar uma minivan com móveis, parte elétrica, era mais para um acampamento raiz — descreve Alison, que nasceu em Goiás, mas mora em Brasília.
O empreendedor é dono de uma locadora de utensílios para buffet, mas também atua com venda de fotos de pontos turísticos, fachadas comerciais e gastronomia para bancos de imagens.
A compra da minivan
A experiência de um mochilão fez com que Alison tivesse vontade de investir em um carro para as próximas viagens— e também para trabalho. Ele encontrou uma minivan em um leilão de órgão público, mas um lance maior do que o seu acabou arrematando o veículo.
No entanto, como se estivesse predestinado, três meses depois, ele se deparou com uma minivan muito parecida, em um site de vendas. Quando viu o veículo pessoalmente, se surpreendeu.
— Quando eu bati o olho nela, por fora, a estética, me desanimou. O teto estava todo arranhado, enferrujado, a parte de dentro, os acabamentos, tudo quebrado — lembra o empreendedor, que, por outro lado, achou a parte mecânica "boa".
Alison fechou negócio. No início de 2024, ele comprou a Rely Van, que pertencia a uma empresa e tinha 49 quilômetros rodados, por R$ 19,5 mil.
E se virasse uma casa?
Inicialmente, a reforma do veículo, feita por Alison e pelo pai, se estendeu até o fim de 2024 e custou cerca de R$ 3 mil. Com isso, a minivan estava pronta para uso no trabalho e em acampamentos "raiz", como ele conta.
Durante uma viagem-teste, Alison foi até Goiás e, durante a estadia, encontrou um casal de viajantes que acompanhava pelo YouTube. O papo "virou uma chave" na mente do empreendedor: nasceu ali a vontade de montar o mini motorhome, com materiais mais baratos e usados.
— Eu sentado, olhando para a minha minivan, falei assim: "e se eu fizesse aqui uma cama, um armário com pia, colocasse um frigobar, uma placa solar em cima, será que ia dar certo, na minha também?" — lembra.
Embora ainda esteja em construção, Alison estima que irá gastar em torno de R$ 5,5 mil nessa nova etapa da reforma, prevista para terminar em novembro.
Como está o mini motorhome?
- A parte traseira tem cerca de três metros quadrados. O espaço tem um sofá-cama, pia, armário de cozinha e frigobar
- De acordo com o empreendedor, o veículo contará com caixa d'água de 50 litros e um chuveiro que pode ser acoplado
- Não terá vaso sanitário — por isso, a ideia é fazer paradas em campings
Paixão por viajar
A proximidade com o mundo viajante não é de agora. Em família, Alison costumava visitar parentes com frequência em Goiás e Minas Gerais. Em 2010, aos 18 anos, com uma melhor condição financeira, conheceu a praia:
— Aí eu me apaixonei. Fomos para Salvador, uma cidade bem turística, com muita história, muita informação. Ali eu falei: "Eu realmente gosto mesmo de viajar"
Ele conta que, em meados de 2013, após pedir demissão de um emprego, comprou um pacote de viagem para Buenos Aires, na Argentina, sem avisar previamente os pais e sabendo que falava um "portunhol bem arranhado". No fim das contas, concluiu que a experiência de viagem foi "transformadora".
Nos anos seguintes, porém, Alison foi acometido por um quadro depressivo. Segundo ele, o que trazia um pouco de ânimo era poder conhecer o mundo a partir da perspectiva de outras pessoas, por meio de vídeos no YouTube.

Entre 2017 e 2018, Alison voltou a viajar: foi ao Rio de Janeiro e ao Paraná. Sozinho, em 2019,
O gosto voltou a ser colocado em prática entre 2017 e 2018, quando foi com amigos ao Rio de Janeiro e ao Paraná. Sozinho, em 2019, conheceu os lençóis maranhenses.
Foi aí que ele descobriu uma oportunidade de renda na venda de fotos turísticas, gastronômicas e de fachadas comerciais para bancos de imagens. Recebendo em dólares, ele já chegou a arrecadar R$ 2 mil em um mês.
Em 2022, surgiu a ideia de fazer o mochilão. Com R$ 3,5 mil, Alison passou 45 dias entre Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraguai. Economizando com transporte, ele chegou a andar cinco a seis quilômetros a pé com o peso de 15 a 20 quilos nas costas.
Qual a próxima aventura?
Sabendo que a reforma está chegando ao fim, os planos já estão traçados na mente do empreendedor. A bordo do mini motorhome, ele quer sair de Brasília, passar por Goiás, Piauí e Maranhão. Depois, descer pelo litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte até Santa Catarina, com o sonho de um dia chegar mais longe.
— Se isso tudo der certo e a minivan conseguir me levar à Patagônia, seria o auge para mim — completa.




