
Balneário Rincão, município que fica a poucos quilômetros de Criciúma, tem deixado de ser apenas destino de veraneio para virar opção de moradia fixa. A cidade de 18 mil habitantes, localizada no litoral sul de Santa Catarina, combina o custo mais acessível que o de balneários vizinhos com qualidade de vida e proximidade com grandes centros urbanos.
Com uma orla de 13 quilômetros e sete lagoas, que se espalham pelo território, a cidade atrai tanto quem busca tranquilidade quanto aqueles que querem morar perto da natureza sem abrir mão de infraestrutura em crescimento.
No verão, a população pode chegar a 200 mil pessoas, mas, fora da temporada, o ambiente volta a ter o ritmo de cidade pequena. Mesmo assim, segundo o IBGE, o município foi o que mais cresceu na região carbonífera por dois anos consecutivos, reflexo da procura de famílias que enxergam na cidade um refúgio contra os preços inflacionados do litoral catarinense.
Quanto custa viver em Balneário Rincão?
O mercado imobiliário é um dos principais atrativos. O preço do metro quadrado ainda é considerado baixo: terrenos podem ser encontrados a partir de R$ 200, enquanto os aluguéis variam em torno de R$ 1 mil, dependendo da localização e da época do ano.
Além disso, a proximidade com Criciúma — apenas 25 quilômetros — também é um diferencial. Muitos moradores trabalham na cidade vizinha e preferem viver à beira-mar, aproveitando o equilíbrio entre mobilidade e qualidade de vida.
Orla extensa
A extensão da orla é outro cartão-postal. Entre os locais mais procurados estão a Praia do Rincão, ponto central da cidade, e a Ponta Sul, que concentra turistas durante o verão.
As lagoas formam um segundo eixo de lazer: Urussanga Velha, Lagoa dos Esteves e Lagoa Mãe Luzia estão entre as mais conhecidas. Nelas, moradores e visitantes praticam esportes como stand up paddle, caiaque e pesca esportiva.
A cidade conta ainda com duas plataformas de pesca. A maior, no Norte, tem 400 metros de extensão e se tornou atração turística, reunindo restaurantes e oferecendo vista panorâmica do mar.
Os calçadões Central e da Zona Sul completam a estrutura urbana. Com praças, quadras esportivas, áreas gastronômicas e passarelas, funcionam como ponto de encontro para moradores e visitantes ao longo do ano.
Cultura pesqueira
Balneário Rincão também preserva símbolos da cultura pesqueira. A Igrejinha Nossa Senhora dos Navegantes, construída em 1943, é um dos marcos da cidade e reflete a ligação histórica da comunidade com o mar.
A festa que homenageia a santa inclui missa e bênção de velas, realizada na capela localizada na Zona Norte.
Outro símbolo é a Festa da Tainha, promovida entre junho e julho, que reforça a tradição da pesca artesanal e movimenta a economia local.
No verão, o CarnaRincão é um dos carnavais mais conhecidos da região Sul, reunindo milhares de foliões. O evento recebe todas as cidades da região carbonífera no desfile regional.
Já em julho, a Julifest celebra o "arraiá" com apresentações de escolas, bandas, grupos culturais e entidades, além da venda de comidas típicas da época.
Qual é a história de Balneário Rincão?

A origem de Balneário Rincão remonta ao século 18, quando a região passou a receber colonos açorianos e imigrantes europeus. Antes disso, era ocupada por povos indígenas sambaquianos, xoklengs e tupi-guaranis, que deixaram registros de sua presença ao longo do litoral sul de Santa Catarina.
A agricultura e a pesca sustentaram as primeiras comunidades. Em meados de 1858, o chamado "Rincão Comprido" se tornou rota entre Laguna e Porto Alegre, dando origem a um pequeno núcleo de famílias que viviam da subsistência e, mais tarde, atrairia veranistas. Aos poucos, a Praia do Rincão virou destino de lazer e passou a reunir pessoas de diferentes origens, costumes e culturas.
O movimento pela emancipação política começou em 1999 e só avançou após a aprovação da PEC dos Municípios, que permitiu a realização das primeiras eleições em 2012.
Até então, a localidade pertencia à Içara, município-mãe cuja formação teve origem na comunidade de Urussanga Velha. A economia local, lá nos primórdios, se desenvolveu com a produção de mandioca, cana-de-açúcar e cachaça, produtos que eram transportados em carros de bois até Garopaba.
Desde a instalação oficial em 2013, Balneário Rincão busca equilibrar essa tradição com a modernidade. De um lado, preserva festas religiosas, a cultura pesqueira e a herança açoriana; de outro, investe em infraestrutura urbana e enfrenta o desafio de receber novos moradores sem perder o ritmo de cidade pequena.


