
Se, para alguns, percorrer mais de 3 mil quilômetros em um carro elétrico soa uma ideia arriscada, para um casal de gaúchos foi a forma de tirar do papel o sonho de conhecer o Rio de Janeiro. Juntos há sete anos e meio, Jaqueline Martins, 42 anos, e Pablo Vieira, 48, dividiram o volante em um BYD Dolphin GS durante uma viagem no ano passado.
Sabendo que o veículo tem autonomia de cerca de 300 quilômetros na estrada, Pablo mapeou paradas para abastecimento a cada 220 ou 250 quilômetros percorridos.
Ele explica que a bateria do carro utilizado é de 45 quilowatts e que, em média, foi pago de R$ 2 a R$ 2,30 por quilowatt. Somando ida e volta, o casal contabiliza um custo de R$ 600 com carregamentos — alguns foram gratuitos. Em toda a viagem, a dupla parou ao menos 19 vezes (veja abaixo).
— Estudei todas as possibilidades em aplicativos que mostram onde tem carregadores, os valores, calculam o trajeto conforme a altitude porque, quando sobe, gasta mais e, quando desce, gasta menos — explica.
Esse é mais um casal que decidiu se aventurar em longas distâncias sobre rodas. Na série de reportagens Tem Gaúcho na Estrada, Zero Hora também já contou a história de Débora e Gabriel, que foram a Bariloche, na Argentina, de Peugeot. Confira outros relatos abaixo.
Tem Gaúcho na Estrada
"Qualquer coisa, chamamos um guincho"
A ideia da viagem partiu de Pablo, após descobrir que havia postos de carregamento gratuito pelo Rio Grande do Sul. Mas a mente dele foi além: e se ele e a esposa estendessem a viagem até o Rio de Janeiro?
— Eu achei que ele estava doido. Como assim vamos para o Rio (de Janeiro) de carro? Mas como sou "metida", eu disse: "Tá, vamos ver no que dá, qualquer coisa, chamamos um guincho" — brinca Jaqueline.
Os dois saíram de Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, onde moram, na manhã de 22 de setembro de 2024. O primeiro ponto de estadia foi em Quatro Barras, município próximo a Curitiba (PR), onde dormiram dentro do carro, estacionado em um posto de gasolina. No dia seguinte, foram até Ubatuba (SP) e também usaram o carro para dormir.
A chegada a Arraial do Cabo (RJ) ocorreu um dia depois. Eles ficaram na cidade por dois dias em uma hospedagem. Depois, foram até a cidade do Rio, onde curtiram por cinco dias. Na frente do Cristo Redentor, o casal materializou a união na troca de alianças.
No trajeto de retorno, os dois foram à cidade de São Paulo, onde passaram uma noite em uma hospedagem. Na sequência, pararam em São José dos Pinhais (PR), onde dormiram. E no dia seguinte, chegaram em casa.
Cenário de novela
Jaqueline lembra que, desde criança, inspirada por novelas na TV, tinha o desejo de conhecer a chamada cidade maravilhosa:
— Para mim, é a cidade mais bonita que tem. Nós já tínhamos tentado ir outras vezes, mas nunca deu, porque iríamos de avião, mas sempre acontecia um imprevisto e não conseguíamos ir — conta ela.
Com a vontade concretizada, o casal conta que a parte preferida foi passar pela ponte Rio-Niterói e, lá de cima, ver a paisagem. Pablo também acrescenta, entre os pontos favoritos, a passagem pela Rodovia Rio-Santos e os barezinhos do Leblon.
Receio do trajeto
Segundo o casal, o percurso foi de 3,7 mil quilômetros ao todo. Essa foi a primeira vez que Jaqueline e Pablo viajaram uma longa distância de carro — era justamente o tamanho do trajeto, com os perigos da estrada, que causava mais receio nos dois do que uma eventual falta de carregamento do veículo.
— Eu levei algumas ferramentas: alicate, chave de fenda, chave Philips, essas coisas, e até lacre de segurança, porque se quebrasse o para-choque, alguma coisa, eu ia ter que dar um jeito para remendar. Também levei um carregador portátil caso eu precisasse carregar em uma tomada comum, mas ele continuou lacrado como está até hoje, eu nem usei — relata Pablo.
Nos carregadores rápidos, o casal tinha de esperar, em média, 50 minutos, tempo que usava para descansar ou fazer alguma refeição. Em dois momentos, Jaqueline e Pablo acabaram em carregadores lentos. Em Santa Catarina, tiveram de aguardar três horas. O lado bom, comentam, é que conseguiram aproveitar parte de um show do cantor Rogério Flausino, vocalista da banda Jota Quest.
O casal planeja viajar com os filhos no próximo ano — o impasse está no meio de transporte: Jaqueline acredita que os três adolescentes não terão paciência para ficar dentro do carro, mas Pablo discorda. Outro destino sonhado da dupla é Punta del Este, no Uruguai.
Como encontrar postos de carregamento?

Para quem quer viajar de carro elétrico, a dica do casal é mapear os lugares de carregamento antes de sair, contabilizando pontos a uma distância cerca de 30% menor do que a autonomia do veículo.
Jaqueline e Pablo fizeram o mapeamento por meio do aplicativo e site PlugShare. Outras ferramentas têm funcionalidades semelhantes, permitindo criar trajetos, visualizar valores, tipos de plugues e se o carregador está ou não ocupado.
Conheça algumas opções abaixo:
- PlugShare: por meio da ferramenta, é possível inserir o trajeto e, a partir disso, visualizar os pontos com carregadores. Ao clicar nas marcações, o usuário consegue descobrir valores, por exemplo
- BYD Recharge: tem funcionalidades parecidas com o anterior, integrando os principais corredores de recarga da marca e de parceiros
- Volvo Car Eletropostos: permite que quem tem veículos da marca localize, desbloqueie e utilize estações de carregamento da Volvo
- Tupi Recarga: permite que o usuário encontre pontos de recarga mais próximos, crie rotas, reserve vagas e realize pagamentos via aplicativo
- Electromaps: por meio da ferramenta, é possível localizar pontos de carregamento e pagar diretamente pelo aplicativo
- Google Maps e Waze: essas duas ferramentas integraram a localização de pontos de recarga entre as funções. No Google Maps, por exemplo, basta pesquisar por "pontos de carregamento de carros elétricos". No Waze, é possível ativar o modo nas configurações ou ir em "Carregamento de VE" na barra de pesquisa













