
Não são raras as vezes em que animais são encontrados mortos ou debilitados no litoral gaúcho. Em Imbé, no Litoral Norte, o Centro de Estudos Costeiros Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), da UFRGS, atende cerca de 900 "pacientes" por ano, de diversas espécies. Conforme levantamento da própria equipe, desde o início de 2026 até meados de fevereiro foram realizadas 43 intervenções.
Tudo é feito no Centro de Recuperação de Animais Silvestres e Marinhos (Ceram). Enquanto Zero Hora conhecia o local na manhã desta quinta-feira, uma viatura da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) chegou com uma ave em uma gaiola.
Segundo as policiais, o animal foi entregue no dia anterior à equipe de Capão da Canoa por uma pessoa que relatou ter encontrado a ave ferida na Estrada do Mar, próximo à rótula de Xangri-lá.
— Ele está em um quadro de estresse, porque está hiperventilando. Se tu olhares agora, ele está com o bico aberto. Então, vamos só tirá-lo da caixa e colocá-lo em um local para se acalmar, para depois fazer a avaliação — explica o médico veterinário do Ceclimar Derek Blaese de Amorim.
Verão 2026
A ave de cerca de 880 gramas foi colocada em oxigenoterapia, que consiste na administração de oxigênio. O veterinário acredita se tratar de um socó-boi jovem pelo tipo e cor da penugem.
Ele suspeita que o animal possa ter alguma fratura exposta ou bicheira devido ao cheiro ruim que exalava da caixa.
Quais animais são atendidos pelo Ceclimar?

Durante este período de veraneio, a maior parte dos animais recebida no centro de recuperação é formada por aves marinhas migratórias e algumas espécies de tartarugas, principalmente filhotes e nos primeiros meses de vida.
Os problemas que esses animais costumam ter vão de fraturas e intoxicação por alimento a até mesmo traumatismo craniano devido à colisão em vidros, conta Amorim.
Entre as aves hoje no local, há um carão, que chegou sem algumas penas e com inflamação na asa, além de fratura de dígito, e um quero-quero, que precisou de amputação devido a fratura.
No período de junho a setembro, por outro lado, é mais comum ver lobos-marinhos e pinguins-de-magalhães em atendimento.

Processo de reabilitação e soltura na natureza
Após a chegada ao local, o procedimento é igual ao realizado com animais domésticos: avaliação clínica, exames, tratamento e cirurgia, se precisar. O hospital veterinário da UFRGS também pode oferecer suporte quando necessário.
Amorim ressalta que objetivo é sempre fazer a soltura do animal na natureza, desde que esteja apto a capturar comida e fugir de predadores. Em alguns casos, se não houver outra opção, a eutanásia pode ser feita.
— Se não conseguimos, precisamos entrar em contato com a Secretaria do Meio Ambiente. Eles conversam com zoológicos ou então com algum criador ou conservacionista para conseguir encaminhar esses animais — relata.

O setor de reabilitação não tem visitação aberta ao público. A ideia, como pontua o veterinário, é que os animais em recuperação não tenham tanta aproximação aos humanos — motivo pelo qual também não ganham nomes.
— Quanto menos condicionado o animal estiver, melhor a reabilitação. A sobrevivência no meio ambiente, que é o local onde preconizamos que ele esteja, é onde ele vai fazer o ciclo biológico — esclarece.
900 animais por ano
Para além da reabilitação, Amorim reforça que o centro busca sensibilizar sobre a importância de um ecossistema com espécies convivendo juntas.
É muito legal ver a evolução de um paciente. É ímpar!
DEREK BLAESE DE AMORIM
Médico veterinário do Ceclimar
De acordo com o Ceclimar, uma média de 900 animais é atendida por ano no local. Há um monitoramento semanal que percorre cerca de 160 quilômetros de extensão na beira da praia, entre Torres e Palmares do Sul.

Além daqueles debilitados encontrados no caminho, há animais encaminhados pela Patram, pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e por moradores.
O que fazer ao encontrar um animal morto ou debilitado na praia?
- Contate a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), por meio da Divisão de Fauna, no WhatsApp (51) 98593-1288
- Em caso de atendimento imediato, ligue para a Brigada Militar pelo 190. A partir do relato, será acionada a Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram) mais próxima
- Para animais marinhos vivos ou mortos, também é possível contato com o projeto de monitoramento de praia do Ceclimar: (51) 3308-1263











