
Das margens de pelo menos três rodovias, é possível avistar de perto torres com três pás, de uma altura que chega a provocar quase uma ilusão de ótica. Os "cataventos" de Osório acompanham o caminho dos viajantes pelo Litoral Norte e fazem parte da paisagem. Essas estruturas integram o Complexo Eólico de Osório, que completa 20 anos em 2026.
Zero Hora foi conhecer o local, que soma 148 aerogeradores, como são tecnicamente chamados os gigantes que produzem energia a partir do vento. Segundo o Departamento de Energia da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul, o Complexo Eólico de Osório é o maior do Estado.
A visitação pública, que é limitada a uma área, não está ocorrendo no momento. A unidade com mirante, voltada a visitantes, está em reforma e sem previsão de quando voltará a operar.
O interior do complexo
De um portão à beira da RSC-101 até o centro de operações do complexo, é necessário percorrer uma estrada de chão por cerca de 8 quilômetros. O percurso leva 20 minutos e passa por várias porteiras. A velocidade reduzida é necessária por conta dos animais que são criados soltos em meio às torres.
Gado, até mesmo terneiros, além de cavalos e aves diversas podem ser vistos na área. No dia da visita, alguns animais buscavam abrigo do sol na sombra gerada pelos "cataventos".
Segundo a empresa Statkraft, proprietária do Complexo Eólico de Osório, o empreendimento se estende por 10 mil hectares, arrendados de produtores rurais. O solo ainda é utilizado para plantação de arroz, soja e grama, além da criação de gado.
A paisagem verde chama a atenção, assim como a disposição dos aerogeradores, enfileirados de modo aparentemente simétrico. A parte inferior de cada torre tenta se mesclar à natureza, sendo pitada de verde.
Zero Hora visitou os dois prédios voltados a reuniões internas da empresa e um centro operacional, próximo à subestação – que recebe toda a energia gerada pelos aerogeradores. Após, a energia vai para a linha de transmissão, de onde parte para uma rede conectada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Em uma das áreas visitadas, uma arte colorida vai de uma parede a outra, percorrendo parte do chão. A autoria é do artista espanhol Jorge Peteiro, que decidiu unir sua terra natal, a Galícia, ao município de Osório, por meio do oceano, conforme explicou a equipe da Statkraft que acompanhou a visitação.
O mesmo artista produziu um pássaro colorido de madeira que funciona como uma espécie de biruta e fica em uma das áreas verdes do complexo.
Uma manutenção nas alturas
De acordo com a empresa responsável, os aerogeradores passam por manutenções preventivas a cada seis meses desde que entram em operação.
Para chegar ao topo da estrutura, um elevador e uma escada dentro de cada torre são as alternativas. As torres são feitas de concreto ou de concreto e aço.
Os dias com menos vento são úteis para as revisões. Conforme a Statkraft, o período mais proveitoso para produção de energia na região costuma ser entre outubro, novembro e dezembro. Rajadas a 12 metros por segundo são as ideais. Em caso de vento a 25 metros por segundo na média de 10 minutos ou de rajadas a 35 metros por segundo, o aerogerador para automaticamente.
De modo geral, o trabalho dentro do complexo eólico ocorre de forma automatizada. Cabe aos humanos, principalmente, o controle da qualidade e do desempenho das máquinas, a verificação de segurança, a vigilância e o monitoramento de eventuais incidentes.
20 anos em operação
A Statkraft estima que, em média, 256 mil residências por mês podem ser abastecidas com a energia ali produzida. Porém, não há como precisar em quais regiões, uma vez que, ao entrar na rede, a energia pode ser distribuída conforme a necessidade.
O complexo de Osório é formado por quatro parques e, inicialmente, era de propriedade majoritária da empresa Enerfín. Em 2024, a Statkraft comprou a companhia e se tornou a nova responsável pelo empreendimento.
O primeiro parque do complexo, nomeado Ventos do Sul, foi inaugurado com 25 aerogeradores em 2006. Após, houve adição de mais 50. Já em 2012, foi a vez do parque Ventos da Lagoa, com 25 estruturas. No mesmo ano, surgiu o Ventos do Litoral, também com 25 aerogeradores. E, em 2014, passou a operar o Ventos dos Índios, com 23 "cataventos".
O Litoral Norte também tem parques eólicos em outros municípios: dois em Palmares do Sul (das empresas CPFL Renováveis e Statkraft), um em Tramandaí (da EDP Renováveis) e um em Xangri-lá (da Honda Energy).
Os cinco maiores complexos eólicos no RS
Veja o ranking do Departamento de Energia da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura:
- Complexo Eólico de Osório, da Statkraft, em Osório: 317,9 megawatts de potência
- Complexo Eólico Coxilha Negra, da CGT Eletrosul, em Santana do Livramento: 302,4 megawatts de potência
- Complexo Eólico Geribatu, da Omega Energia, em Santa Vitória do Palmar: 258 megawatts de potência
- Complexo Eólico Hermenegildo, da Omega Energia, em Santa Vitória do Palmar: 162,89 megawatts de potência
- Complexo Eólico Cerro Chato, da CGT Eletrosul, em Santana do Livramento: 138 megawatts de potência





