Centenas de devotos estiveram reunidos na manhã desta segunda-feira (2), na beira da praia de Capão da Canoa, para homenagear Iemanjá. Uma estrutura foi montada junto à guarita 80, nas imediações do monumento que homenageia a "Rainha das Águas". A celebração também ocorreu em outras cidades do Litoral Norte, como Balneário Pinhal, Imbé e Tramandaí.
Desde a noite de domingo (1º), devotos prestaram homenagens à orixá em uma celebração que ocorre há 40 anos no município. Durante o amanhecer, quem participava do festejo viu o sol nascer dentro do mar, que por muitas vezes ultrapassava a altura da casinha dos salva-vidas. Oferendas foram jogadas ao longo de toda a cerimônia, mesmo com o mar mais agitado do que de costume.
A participação na celebração já é um costume para os simpatizantes que veraneiam em Capão. A bióloga Luciane Ferreira, 44 anos, mora em Júlio de Castilhos, na Região Central, mas acompanha as celebrações na beira do mar há três anos.
— É lindo de vir aqui. Então todo ano quando a gente consegue vir a gente vem para, em primeiro lugar agradecer tudo e sempre pedir saúde, paz e prosperidade pra todos — celebra.
A celebração reuniu pessoas de vários credos. Iemanjá, cultuada nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda, no sincretismo com o catolicismo, a divindade corresponde à Nossa Senhora dos Navegantes. A professora aposentada Claisse Bilhar, 63 anos, de Paverama é devota de Nossa Senhora.
— Eu tenho muita fé. Nossa Senhora é a protetora e eu acho que a gente acorda todo dia de manhã sendo grato por tudo que a vida nos dá. As formas são diferentes, porém a mãe é a mesma. E eu acho que o que importa é o objetivo, a forma final do que a gente tá fazendo. A gente busca viver mais em paz e ter um mundo melhor.
Os atos serviram também para abençoar quem dedica seu trabalho ao mar. Um grupo de guarda-vidas recebeu passes e foi homenageado pelos devotos.
— A fé é o que nos mantêm fortes, seguros e nos ajuda a seguir o nosso rumo, os nossos princípios e nos dá forças para dar continuidade ao nosso serviço diário de guarda-vidas, assegurando às pessoas, aos veranistas um verão seguro — afirma o guarda-vidas Fernando Silva.
As festividades na beira do praia se encerraram às 7h, com as últimas oferendas sendo jogadas em alto mar.
— O principal pedido é o pedido de misericórdia. De discernimento do ser humano, para a gente entender que dá para viver com a natureza. São 40 anos no mesmo local, em prol da humanidade. Essa é nossa fé, nossa raiz — diz o pai de santo Cesinha de Ogum, que coordenou as festividades.





