
A quadra de vôlei de praia localizada no calçadão de Capão da Canoa, no Litoral Norte, é frequentada por dois times uniformizados que disputam partidas de câmbio — uma adaptação do esporte com movimentos mais adequados para pessoas acima de 50 anos. Em meio a gritos e comemorações, o grupo, com integrantes entre 55 e 85 anos, esbanja disposição à beira-mar.
Diferente do vôlei, que tem seis jogadores para cada lado, o câmbio conta com nove participantes em cada time. Os saques e manchetes são substituídos por arremessos mais calmos, e a bola pode ser segurada nas mãos antes de ocorrer os passes entre a própria equipe.
Com 15 anos de história e formado por moradores de Capão da Canoa, o time Amigos da Praça Flávio Boianovski já teve a fase de disputar e vencer campeonatos regionais, mas atualmente mantém a prática como uma experiência de lazer.
— A gente já jogou muito torneio, mas hoje em dia fazemos só recreativo, para o pessoal se divertir e como exercício físico — comenta o aposentado Raul Fioravanti, 71 anos, que começou a jogar aos 56 e hoje coordena o grupo.
Do outro lado da rede, a Associação Esportiva e Recreativa Pé na Areia aflora mais o espírito competitivo. Há dois anos, treina quase diariamente na praia e em um ginásio para disputar torneios pelo Litoral.
— Sábado que vem, teremos (campeonato) em Imbé, no outro, em Capão da Canoa, e no outro em Tramandaí. Então, a agenda é sempre cheia. Estamos sempre jogando — explica a aposentada Jaqueline Zavarize Machado, 59 anos.
Moradora de Montenegro, no Vale do Caí, ela brinca que a atividade física mantém o ritmo que o jogo exige com os impactos da areia, do sol e do vento.
— O pessoal é muito ativo, caminha muito, faz muita atividade física. Para nós, (o jogo) ajuda bastante. Tem gente que faz funcional, academia, a gente não para, se movimenta até mais que algumas pessoas — constata Jaqueline.
Além dos benefícios para a saúde, o câmbio ajuda na mente ao promover as relações sociais. Foi por meio de um amigo que o aposentado Sergio Meneghini da Rocha, 72, conheceu os Amigos da Praça e entrou na equipe.
— O convívio com o pessoal te traz mais vida social, te movimenta mais, a nossa turma é bem bacana. É fundamental isso para a gente — destaca.
E deixar de jogar não significa exclusão do grupo. Seja para fazer torcida ou confraternizar, o objetivo principal dessas pessoas é estar reunido com os demais.
— O importante é isso: socializar. Muitos não jogam mais, mas estão junto para marcar placar, estar em um almoço, tomar chimarrão, dar umas risadas. Alguns são sozinhos, os filhos já foram embora. Então, nós quase somos a família deles — ressalta Jaqueline.
As equipes também estão sempre abertas a acolher novos participantes. Os encontros ocorrem todas as segundas e quintas-feiras na Escola Estadual de Ensino Médio Luiz Moschetti, às 18h, em Capão da Canoa.



