
Tem aquele ditado: tá nervoso, vai pescar. No meu caso, eu comecei a detectar.
EDUARDO REICHERT
Geógrafo
Foi assim, a partir de um hobby, que o geógrafo Eduardo Reichert, 37 anos, iniciou no detectorismo 13 anos atrás. O profissional, natural de Campo Bom, no Vale do Sinos, transformou o passatempo em profissão, da qual vive há sete anos.
O detectorismo busca por objetos metálicos enterrados ou perdidos no solo, na areia ou até em ambientes aquáticos rasos. A prática é bastante conhecida nas praias do Rio Grande do Sul, mas quando Eduardo iniciou na atividade, o cenário era diferente:
— Comecei de uma forma bem simples, queria um hobby, algo para relaxar. Não havia muitos instrumentos ou informações no Brasil. O tempo foi passando e eu me especializando. Chegou o momento que consegui unir a detecção e viagens como trabalho — relembra.
Perder um item na beira da praia, em quadras de areia ou em cachoeiras é mais comum do que se imagina. Foi a partir dessa demanda que Eduardo, junto da companheira Bruna Rodrigues, 33 anos, passou a oferecer o serviço profissional de “resgate” de objetos perdidos.
O trabalho é feito com detectores modernos, que emitem frequências ao solo e produzem alertas sonoros quando identificam metais. Antes de iniciar a busca, há uma etapa fundamental de avaliação.
— Primeiro, conversamos com o cliente para entender qual foi o objeto perdido, quando aconteceu, referências do local e o ambiente. Assim, definimos o equipamento adequado e se será necessário mergulho. Somos sempre sinceros sobre as chances e, na maioria das vezes, conseguimos encontrar o que foi perdido — explica Eduardo.
Reconhecimento nas redes sociais
Com o tempo, o negócio ganhou visibilidade nas redes sociais. Os resgates passaram a ser gravados e publicados, ampliando o alcance do trabalho e atraindo novos clientes. Entre os objetos recuperados estão celulares, joias, alianças, aparelhos auditivos, chaves de carro e itens de valor sentimental.
Durante o verão, o casal passa a temporada em Capão da Canoa e atende todo Litoral Norte. Após o veraneio, os resgates são oferecidos em outros Estados, como São Paulo, Rio Grande do Norte e Bahia.
No Brasil, a prática do detectorismo não é ilegal, mas exige responsabilidade e respeito às regras.
— Não precisa de habilitação ou de registro. Mas não podemos perder o bom senso. Não se pode entrar em propriedade privada, detectar no patrimônio histórico cultural ou em área de preservação – explica Eduardo.
Além do serviço de resgate, o trabalho de detecção também colabora com o meio ambiente. O profissional relata que cerca de 95% do que é encontrado durante as buscas são resíduos descartados incorretamente, que acabam sendo retirados da natureza.




