O local que já foi point da vida noturna de Torres, no Litoral Norte, serve hoje como vitrine para vendedores de redes. Quem passa hoje em frente ao imóvel da antiga boate Bora Bora se questiona o que acontece lá dentro e qual o seu destino – que já está definido.
Antes de ser boate, a casa com teto que lembra cabanas de Bora Bora, território marinho da França localizado no Oceano Pacífico, era uma mistura de casa de festas com restaurante da marca Dado Bier.
– Quando iniciamos a operação ali, a cidade era carente de gastronomia e entretenimento noturno. Fizemos um projeto belíssimo, assim como as demais casas que tivemos – lembra o empresário Eduardo Bier, o Dado.
O antigo restaurante foi inaugurado na virada do século, há 26 anos. Da década de 1950 até a reforma que Bier e seus sócios fizeram, funcionava no local um entreposto de pescados, já que o imóvel fica às margens do Rio Mampituba, na divisa com Santa Catarina.
Verão 2026
A operação da Dado Bier funcionava somente nos verões, com alguns eventos esporádicos no inverno. Em 2007, a marca deixou o espaço para focar em sua expansão para outras regiões do país.
– Sempre cuidei para que os negócios durassem o tempo que poderiam durar. Os negócios têm ciclos, especialmente em cidades menores como Torres – diz o empresário.
Além de Bier, o empresário e vereador de Torres Gimi Vidal é peça importante na história da casa noturna. Ele e Danilo Munari Raupp também eram sócios do negócio e juntos mantiveram a casa aberta após a saída da Dado Bier.

Sai o restaurante, fica a boate
Em 2007, o imóvel foi readaptado para virar a boate Bora Bora, comandada por Vidal até 2009. Em 2020, porém, veio a pandemia, o setor de entretenimento foi fortemente impactado, e o empresário precisou encerrar as atividades.
Já tive outras casas noturnas na cidade, mas essa era especial. Fomos muito felizes, recebemos todas as bandas gaúchas que tu podes imaginar
GIMI VIDAL
Vereador de Torres e ex-sócio da Bora Bora
Afastado da vida noturna, Vidal diz que a noite de Torres minguou.
– Chegamos a ter boas casas em Torres, mas nunca foi como Atlântida. Eles sempre foram um polo de entretenimento noturno – reconhece.
O prefeito de Torres, Delci Dimer, concorda com a afirmação:
– Nossa cidade tem muitos atrativos ligados à natureza. Então, quem vem para cá opta por essas atividades: caminhada, surfe, passeios de barco. As festas quase não existem mais.
Destino do imóvel
A casa de 1,3 mil metros quadrados da Bora Bora entrou no banco de imóveis da construtora R Dimer. O ponto foi negociado no ano passado com a empresa, mas não é permitido que prédios sejam erguidos na orla do Rio Mampituba.
De qualquer forma, o plano da construtora para o local não envolve edificações. Segundo o empresário Rodrigo Dimer, que comprou o imóvel, o ponto será usado como área comum para moradores de condomínios da construtora.

Imagens de como ficará o espaço não são divulgadas. Mesmo assim, Dimer diz que manterá grande parte do projeto da arquiteta Lea Japur, que foi quem idealizou a casa para a Dado Bier na década de 1990.
– Vamos manter a Bora Bora, abrir as laterais e fazer espaços de contemplação. A ideia é termos ali um catamarã para os moradores e uma van para levá-los à zona gastronômica – diz Dimer.
O pedido de licenças para a obra será enviado à prefeitura até o fim do primeiro trimestre deste ano. A expectativa é de começar e finalizar a obra ainda em 2026.










