
Era 5h15min desta sexta-feira (23) quando a equipe de fiscalização da prefeitura de Torres chegou a um dos pontos de levantamento de voo do município, no bairro Vila São João. O objetivo era verificar se as empresas de balonismo estão cumprindo as normas estipuladas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em outubro de 2025.
A ação, que é feita rotineiramente, ocorre de surpresa e busca garantir que as cinco empresas que oferecem voos comerciais de balão para turistas na cidade não estão operando com irregularidades – outros oito operadores estão com pedido em análise. Na manhã desta sexta, a empresa Trip Balonismo foi a única que estava pronta para o passeio.
A iniciativa é liderada pelo secretário de Turismo de Torres, Gabriel de Mello. Ao chegar no local, as equipes têm uma lista de normas que precisam ser verificadas, desde o número de passageiros – o limite é 15 – até se o piloto do balão tem a licença específica da Anac, bem como o certificado médico aeronáutico. Também é inspecionada a condição da aeronave, com os fiscais percorrendo e analisando todos os pontos do veículo – do cesto, passando pelos queimadores, até o balão.
Ainda houve a verificação dos documentos da empresa, dos equipamentos e dos itens de emergência – como extintor de incêndio, kits de primeiros socorros e de sobrevivência. A aeronave precisa contar com altímetro, indicador de quantidade de combustível, equipamentos de comunicação e navegação, alças de apoio no cesto para cada passageiro e sistema de desinflagem rápida.
— A resolução saiu no final de outubro de 2025 e, desde então, temos essa rotina de, eventualmente, realizar uma fiscalização de surpresa para buscar desacomodar as empresas e não deixar que a regra não seja cumprida. Estamos garantindo que, em Torres, os voos sejam sempre de excelência _ explica Gabriel de Mello.
A inspeção leva cerca de 20 minutos antes do balão levantar voo, mas não termina aí. A equipe de fiscalização segue com a "caçada ao balão", que é acompanhar, de carro, o trajeto da aeronave e estar no local de descida antes dela, para saber se os procedimentos de aterrisagem foram cumpridos – como as orientações que o piloto precisa passar para os passageiros antes da descida.
Depois de 40 minutos de voo, o balão da Trip desceu no bairro Campo Bonito, em uma propriedade particular que faz parte da cadeia de locais parceiros do balonismo e que permitem a aterrisagem. Comprovado que tudo ocorreu dentro dos conformes, os passageiros fizeram um pouso tranquilo. No final do passeio, ainda comemoraram com espumante.
Para Ricardo Lima, proprietário da Trip Balonismo, que foi a única fiscalizada nesta manhã, a medida da prefeitura é benéfica para as empresas que trabalham com as aeronaves homologadas junto à Anac e com cadastro municipal:
— Torres vive o balonismo durante todos os dias do ano. E, onde tem fiscalização, as normas têm que ser cumpridas, o que garante mais segurança para os turistas voarem em Torres. Normas foram feitas para serem cumpridas. Para nós, então, é excelente essa fiscalização. Inibe os aventureiros que não levam o balonismo a sério.
As novas normas da Anac foram estipuladas quatro meses depois do acidente com um balão de ar quente que vitimou oito pessoas em Praia Grande, em Santa Catarina, e deixou outras 13 feridas. As medidas buscam levar mais segurança aos tripulantes e passageiros, evitando que tragédias como essa se repitam
Por isso, a fiscalização é vista com bons olhos pelos clientes. A professora Jéssica Darski, 35, moradora de Torres, levou a mãe, a irmã e uma amiga irlandesa que foi conhecer a cidade e realizar o sonho de andar de balão.
— Após o acidente, muitas pessoas ficaram com medo de voar de balão. E vindo aqui e vendo que a fiscalização está presente e que o balão está dentro dos conformes deixa o voo mais confortável. Dá segurança para o passageiro — explica Jéssica.



