O relógio ainda não rompeu a barreira das 7h quando um grupo surge correndo nas ruas da barra entre Imbé e Tramandaí, no Litoral Norte. Serão ao menos dois quilômetros neste ritmo antes de a equipe entrar na água para uma travessia a nado na extensão do Rio Tramandaí até a junção com o mar.
A rotina diária faz parte do treinamento continuado dos guarda-vidas que atuam na Operação Verão no Rio Grande do Sul, que a reportagem de Zero Hora acompanhou a preparação nesta quarta-feira (7).
Cerca de 30 profissionais, entre homens e mulheres, estavam presentes. Tudo ocorre antes do início do turno de trabalho, previsto para as 8h.
O preparo é essencial para que os guarda-vidas possam manter as condições físicas adequadas e obtenham maior conhecimento da morfologia do mar.
Nesta temporada, são mais de 900 profissionais, entre bombeiros, policiais militares e civis temporários, que desempenham um papel crucial na proteção dos veranistas.
Conforme o capitão do Corpo de Bombeiros Thiago Bona, responsável pelas corporações entre Quintão e Imbé, a atuação de guarda-vidas necessita de condicionamento físico e preparo emocional.
– A atuação exige muito da parte física, e precisamos estar preparados para isso. Além da capacitação para a atividade, todos passam por uma recertificação e precisam realizar treinos diários. Quando entramos no mar, nosso objetivo é salvar – destaca.
Treinamento também é momento de troca entre colegas
Ao saltar da ponte entre as duas cidades, os guarda-vidas levam menos de 10 minutos para chegar ao meio da travessia. Durante a ação, os profissionais ganharam apoio de um cão que permaneceu na água junto ao tutor, o guarda-vidas militar Robson Santos.

Simulando uma situação de resgate, os guarda-vidas nadam em fila até o fim do percurso. Eles precisam observar o canal da água e a força da correnteza.
Bombeiro há 18 anos e guarda-vidas há 17, o sargento Malet atua na guarita central da beira-mar de Imbé. Natural de Alegrete, na Fronteira Oeste, o profissional sempre teve o objetivo de participar da Operação Verão.
– Desde quando fiz o primeiro curso, quis muito estar aqui. Me capacitei e sigo fazendo isso. Hoje, acordo cedo, faço a corrida e a travessia. Conseguimos verificar como está a água, o vento e a condição do mar. Além de nos preparar, esse é um momento de troca com os colegas – comenta.
Para expressar o tamanho da responsabilidade – e também da satisfação – da atividade, Malet conta:
– No meu primeiro ano como guarda-vidas, atravessei o mar em busca de um banhista. Eu pedi ao "pai velho lá de cima" que me desse força. No último pedido de socorro da vítima, consegui salvar. Esse momento me marca até hoje. Nosso objetivo é não perder ninguém.
Embarcações em alto-mar e resgate aéreo
Além das motos aquáticas, as embarcações de busca e resgate em alto-mar permitem que o socorro seja prestado de forma mais ágil.
– Já aconteceu de pessoas caírem na barra, entre Imbé e Tramandaí, e serem levadas pela corrente. A embarcação é utilizada nesses casos ou em situações que necessitem de navegação mais longa – explica o capitão Thiago Bona.
Segundo o sargento Castro, que pilota embarcações, os guarda-vidas também resgatam barcos que estão em mar aberto.

O Corpo de Bombeiros conta ainda com aeronaves equipadas para resgate em alto-mar. Os helicópteros são utilizados em casos onde não há segurança ou possibilidade de resgate por água.
Nesses casos, a aeronave se aproxima da água na região onde a vítima está e ao menos um guarda-vidas pula no mar. Com o puçá, uma espécie de cesto recoberto por uma rede, tanto o resgatista quanto a vítima são erguidos para o helicóptero.
Dados da Operação Verão
Entre 19 de dezembro e a última terça-feira (6), os guarda-vidas realizaram 203 salvamentos no Litoral Norte. O número é superior ao mesmo período do ano passado, quando foram 198 ocorrências. Segundo os dados do Corpo de Bombeiros, duas pessoas morreram afogadas.
O número de prevenções também chama atenção. Mais de 146 mil ações foram feitas, incluindo alertas sonoros com apito, orientações e instruções aos banhistas. No mesmo período do ano passado, foram 95 mil – aumento de 53%.
A orientação do Corpo de Bombeiros é para que os banhistas observem as sinalizações e os alertas e tomem banho de mar apenas em locais cobertos pelos guarda-vidas.


