
Bastou menos de um minuto para a maior campeã de balonismo do Brasil colocar a reportagem de Zero Hora nas alturas na manhã desta segunda-feira (12). O voo iniciou por volta das 5h40min em Torres, no Litoral Norte, e terminou em Santa Catarina, na cidade de Passo de Torres, que faz divisa com o Rio Grande do Sul.
No comando do cesto estava Laís Pinho, gaúcha que já venceu sete vezes o Campeonato Brasileiro de Balonismo – é a maior campeã da categoria feminina.
Foi mais de meia hora sobrevoando a cidade que é a capital oficial do balonismo. O passeio superou os mil metros de altura.
Verão 2026
O céu estava com poucas nuvens e vento fraco – condição perfeita para a atividade, avisou Laís. Antes do voo, a atleta soltou balões com gás hélio para avaliar a direção do vento. Depois de lido o cenário, um trajeto foi traçado.
A partida se deu no Parque do Balonismo, na entrada de Torres, onde há um amplo espaço para "montar" o equipamento.
A cesta onde ficam os passageiros foi retirada da caçamba de uma caminhonete e colocada no chão. Na sequência, um enorme tecido foi estendido e acoplado a ela.
Para inflá-lo, primeiramente foi usado um ventilador de grande potência. Para finalizar, as chamas de um maçarico fizeram o balão subir e tomar forma.
– Muita gente que tem medo de avião, quando voa de balão pela primeira vez, fica tranquilo. Não tem barulho, é leve. No balão estamos mais conectados com a paisagem, diferente de estar dentro de uma estrutura pesada de ferro – destaca Laís.
A vista de cima
Do alto, avistamos ícones de Torres com outra perspectiva. Chamam atenção as curvas do Rio Mampituba, que divide as praias gaúchas das catarinenses.
As dunas da praia de Itapeva e os edifícios da cidade ficaram minúsculos lá de cima. Perto de aterrissar, moradores de um condomínio registraram com seus celulares o gigante inflado que nos carregava se aproximando do chão.
Trajetória no balonismo
Laís voou de balão pela primeira vez aos 10 anos – e nunca mais parou. Hoje aos 32, além de competir, a torrense trabalha com voos comerciais (passeios) em Torres e na Tanzânia, na África.
– Meu pai sempre foi envolvido com o evento de balonismo em Torres. Aos 10 anos, tive a oportunidade de voar pela primeira vez. Me apaixonei. Comecei a ficar amiga dos pilotos, das equipes e acabei trabalhando com o pessoal. Me envolvi demais. Quando fiz 18, já sabia que queria viver disso – conta Laís.
Ao completar a maioridade, Laís foi a Curitiba (PR) para tirar sua licença de piloto de balão. Chegou até a trabalhar em uma fábrica que produzia materiais para os equipamentos. Na sequência, tirou uma licença para voar em países da Europa, onde ainda quer flutuar em áreas com neve.
Apesar de amar o esporte, lamenta que poucas mulheres tenham ganhado destaque até aqui:
– A aviação no mundo inteiro tem poucas mulheres. No balonismo não é diferente. A empresa onde eu trabalho na África se orgulha de ser a empresa com mais mulheres pilotos naquele continente. E são apenas quatro. Então, é um problema no mundo todo.
Como é a competição de balonismo
Laís é hoje a maior campeã do principal torneio de balonismo no país dentro da categoria feminina.
Na competição, os pilotos precisam passar por pontos específico em um trajeto. Antes da prova, é definida a distância de onde eles devem partir.
Ao se aproximar de um alvo em formato de "X", quem está no cesto deve jogar um saco de areia de 100 gramas e acertar a marcação. Os que mais se aproximam do centro da peça aumentam a pontuação.
– Cada piloto faz sua estratégia, seu plano de voo. Vê de onde vai decolar para conseguir passar o mais próximo possível desses pontos que foram determinados. Dentro de um mesmo voo pode ter três, quatro alvos para a gente passar – descreve Laís.
A balonista afirma que nunca passou por imprevistos no ar, apenas os "calculados".
– No balonismo, estamos lidando com a natureza. A gente vê antes a previsão. Se prepara e só voa se é seguro. Por exemplo, se tem a previsão de entrar um vento, eu já sei que ele vai entrar, mas a hora exata pode variar. Em competição, acabamos indo mais no limite, porque queremos ganhar. Ali arriscamos um pouco mais, mas tudo está calculado – reforça.















