
O sábado (31) em Capão da Canoa foi de calor, mar refrescante e muitos corpos no shape. Isto porque o Largo do Baronda, tradicional espaço de eventos no Litoral Norte, transformou-se em um box de crossfit a céu aberto ao sediar a terceira edição do Super Beach Games, campeonato realizado à beira-mar.
Durante as atividades, trios femininos, masculinos e mistos se esforçam para concluir diferentes provas que vão de seis a 12 minutos. E elas passam por escalada em corda, agachamento, levantamento de peso, burpee, entre outras.
No total, são disputadas nove categorias, com premiação para os três primeiros colocados em cada uma delas.
Nesta edição, foram 780 participantes inscritos, vindos de diferentes lugares do Estado, do Brasil e, até mesmo, de países vizinhos. Os crossfiteiros presentes são de idades variadas, indo de adolescentes a veteranos com mais de 50 anos.
E essa diferença geracional, no evento, foi motivo de empolgação, união e apoio. Como é o caso de Denise Cristina Centofante, 51 anos, bancária de Ijuí, que entrou na arena de provas do Super Beach Games pela primeira vez acompanhada da filha, Paula Cristina Centofante Schott, 17, estudante, e da melhor amiga, Viviane Evangelista, 47, doméstica.
Para a crossfiteira, encontrar o esporte, há sete anos, enquanto enfrentava um quadro de depressão, mudou a sua vida.
— Estar aqui hoje, para mim, é um momento único no sentido de viver uma emoção tão grande, porque o conceito do crossfit não é ser o melhor de todos, mas, sim, ser o melhor que eu posso. E a receptividade que o pessoal tem com pessoas de mais idade, como é o meu caso, é perfeita. Me sinto inserida, jovem — conta Denise.
Amizade e esporte
Os presentes no evento celebram a sensação de comunidade que o crossfit proporciona. Dentro de um trio master misto, o casal de engenheiros Carliana Mello e Tiago Dias, ambos de 35 anos, estava acompanhado do amigo Marcelo Motta, 39, psicólogo. O grupo viajou por oito horas de Bagé até Capão da Canoa para participar da competição e, também, para aproveitar o litoral gaúcho.
— A gente tem levado um pouco mais a sério o crossfit, porque está fazendo muito bem para a gente, tanto física quanto mentalmente. O estilo de vida muda. Passamos a acordar mais cedo, a alimentação melhora — destaca Marcelo.
Entrar para o crossfit, aponta Tiago, vai além de estar apenas na academia treinando. É uma mudança no dia a dia — e, na visão do engenheiro, uma mudança para melhor:
— Toda a tua rotina muda. Às vezes, vamos em um lugar e já pensamos duas vezes em ficar até mais tarde ou não, porque tem treino de manhã cedo. Então, acabamos pegando leve para priorizar o crossfit. É uma mudança total de vida.
— E sem falar que a gente encontra amigos, né? Conhecemos o Marcelo no box. E, então, cada um começa a motivar o outro — complementa Carliana, que estava em sua primeira competição. — E fazer a estreia aqui é muito bom, com a brisa do mar, o vento batendo. E os exercícios são acessíveis para quem está iniciando. É mais recreativo. A competição acaba ficando em segundo plano.
Para levar quatro competidoras para o Super Beach Games, o centro de treinamento Hybridu’s Fit CT, de Teutônia, organizou uma comitiva até Capão da Canoa. No total, viajaram 12 pessoas. E, para dar o suporte para as atletas, mas, também, aproveitar o litoral, foram equipados com um gazebo, que instalaram na areia da praia. O sócio-proprietário da academia, Lenon Ribeiro, 35, comemora que exista este tipo de atividade para reunir tantas pessoas em torno do mesmo objetivo.
— É uma ótima experiência para o pessoal que está começando agora. É a primeira competição das quatro meninas que trouxemos, para elas sentirem como funciona. Já aproveitaram a praia. É um combo. E o crossfit vem em uma ascensão muito grande por causa do dinamismo do esporte, que vem ocupar o espaço da monotonia da musculação, por exemplo — destaca Lenon.
Sucesso de público
As inscrições para o Super Beach Games, de acordo com o organizador, Pedro Salerno, 33, esgotaram-se em menos de um mês, tamanha a procura pelo evento, que já está consolidado no calendário do verão de Capão da Canoa. E, para comportar tantos atletas, as atividades começam cedinho, às 8h, e se estendem até as 18h30min.
Pedro enfatiza que a competição movimenta mais de 6 mil pessoas na cidade, sejam acompanhantes dos crossfiteiros ou curiosos que vão assistir. E, por isso mesmo, existe toda uma estrutura de comércio no entorno, desde vendedores de roupas para o esporte, passando por vendedores de lanches até comerciantes que oferecem um chopinho para quem se superou nos exercícios.
— Reunimos aqui desde atletas amadores até os que estão em níveis avançados. É o evento de crossfit de maior sucesso do Rio Grande do Sul. E o pessoal aproveita que é no litoral, que tem essa energia de sol, de mar, competem, depois vão dar um mergulho. É diversão, mesmo. O nosso foco não é performance, são atletas que querem aproveitar o esporte e a vida junto. Acaba virando um rolê de galera — salienta Pedro.
E se o pessoal que participa se prepara e se entrega para realizar os exercícios, o público ao redor, que está veraneando pelo litoral, para e fica admirando o trabalho dos crossfiteiros.
O enfermeiro Arthur Busnello, 33, de Novo Hamburgo, é um deles. Ele e um grupo de amigos estavam hospedados em Imbé e, de manhã, decidiram abraçar um cooler e ir até Capão da Canoa para prestigiar o esforço atletas.
— A gente pratica crossfit também, mas viemos somente para prestigiar o evento, não temos como competir. Os atletas estão em um nível muito maior que o nosso. Então, cada categoria faz a sua. Eles competindo, nós bebendo uma cervejinha e admirando (risos) — brinca Arthur.





