
Ondas incríveis, natureza exuberante e infraestrutura inteligente para quem quer o melhor da praia sem perder os confortos da cidade. Assim é Garopaba, cidade que conquistou o coração de muitos gaúchos. Os motivos passam pela proximidade – está 80 quilômetros antes de Florianópolis, para quem sai do RS – e pelo perfil acolhedor.
Localizada no litoral sul de Santa Catarina, Garopaba não é apenas uma praia, mas um refúgio com vários espaços com reservas naturais e que tem as culturas do surfe e da pesca artesanal como duas de suas bases.
Foi pelo surfe que o local virou uma espécie de segunda casa de várias famílias gaúchas, como a do auditor fiscal Bruno Pujol.
– Minha tia mora em Garopaba há muito anos e o local se tornou um ponto familiar nas festas de final de ano e também nos feriados – lembra Pujol, que acredita que o rápido acesso à cidade é decisivo para o público gaúcho.
A viagem é, principalmente, pela BR-101. Com algumas exceções, como no trecho que corta Tubarão (SC), o trajeto é bem tranquilo – apesar do trânsito de veículos pesados, como ônibus e caminhões.
Garopaba soube manter um estilo pé na areia, contrastando com a verticalização de outras praias, como Balneário Camboriú. Para Pujol, a cidade agrada quem busca tranquilidade e também cultura.
– O Centro Histórico é muito bonito, com construções coloniais. Há também uma boa variedade de restaurantes e acesso fácil à unidades de saúde e hospitais. Minhas praias preferidas são a da Vigia e a de Morrinhos – indica Pujol.
Com uma praia central com perfil mais familiar e outras mais agitadas, como a Ferrugem, o município também faz parte da história de uma das marcas mais importantes do setor de surfwear. A Mormaii nasceu em Garopaba e se consolidou como patrocinadora de atletas especialistas em ondas gigantes, como Carlos Burle e Lucas Chumbo.
Hospedagem
Quando o assunto é hospedagem, a cidade segue o padrão de outras praias catarinenses, onde a alta temporada também traz aumento de preço dos aluguéis, que podem variar entre R$ 400 e R$ 800 por dia.
Para os amantes de acampamento, o diferencial é o camping localizado na beira da praia, que oferece estrutura para barracas e motorhomes.
As diárias costumam ser cobradas por pessoa e, na alta temporada, tendem a variar entre R$ 80 eR$ 150. Para motorhomes, a cobrança é feita de forma mista, com uma tarifa de estacionamento que varia entre R$ 50 e R$ 100, mais a taxa por pessoa, com valores entre R$ 60 e R$ 120.

De aldeia de pescadores à capital do surfe
Garopaba surgiu como aldeia de pescadores açorianos, legado que deixou marca na arquitetura e nos ranchos de pesca. O nome tem origem tupi-guarani e significa “enseada de canoas” ou “porto de embarcações”.
A grande transformação da cidade ocorreu a partir da década de 1970, com o crescimento do turismo. A qualidade das ondas e o clima atraiu surfistas e criou oportunidade para os moradores.
Um exemplo é o Quiosque do Pescador, ponto que transcendeu a venda de lanches e bebidas à beira-mar e se tornou um lugar em que os clientes tornam-se amigos.
Administrado por Laércio da Silva e seu tio Pedro Paulo da Silva, o Paulinho, o local carrega uma história que se confunde com a própria fundação de Garopaba. Fora da alta temporada, a tradição da pesca da tainha é o que move a família Silva. Porém, de dezembro a abril, o barco descansa e o espaço se transforma para receber os veranistas.
– Trabalhamos com pesca há 60 anos. O Quiosque é um rancho que meu avô construiu e, há duas décadas, se tornou ponto de encontro dos gaúchos – explica Laércio.
A ideia de empreender na alta temporada surgiu de forma espontânea, a partir da interação com os turistas que acompanhavam o arrastão realizado todas as manhãs para garantir peixe fresco. Muitos pediam para que o peixe fosse preparado ali mesmo, na beira-mar. Essa atividade paralela se tornou um reforço importante para os pescadores, cuja renda era ameaçada pela exploração imobiliária e a escassez de peixes.
– Hoje, o Quiosque do Pescador é um empreendimento familiar que emprega 15 pessoas, todos pescadores ou filhos e netos de quem vive da pesca.
E 90% da nossa clientela é gaúcha – aponta Laércio.
Além de peixe fresco e outras delícias de praia, o quiosque oferece cadeiras, guarda-sóis e banheiro para quem está veraneando, sem precisar de consumo mínimo para utilizar a estrutura. Não é à toa que muitos clientes se tornam amigos para além dos dias de verão.
Laércio se emociona ao lembrar de Adroaldo Gaya, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), falecido neste ano. Após muitas temporadas marcando ponto no local, a família pediu que suas cinzas fossem jogadas ao mar, em frente ao quiosque.
– Pegamos a nossa canoa, os funcionários do Quiosque remando e, com a família do Seu Adroaldo, seguimos em alto-mar para realizarmos o pedido e a vontade do nosso amigo – relata Laércio.

Confira um roteiro para aproveitar as praias locais
- Praia Central: tem a melhor infraestrutura da cidade e é ideal para famílias com crianças pequenas
- Siriú: famosa pelas dunas gigantes, é um convite para praticar sandboard e desfrutar das trilhas em meio à natureza
- Ferrugem: para quem gosta de badalação, essa praia é ponto de encontro com seus bares e festas à beira-mar
- Silveira: os surfistas, sejam iniciantes ou profissionais, nutrem um carinho por essa praia, mundialmente reconhecida por suas ótimas ondas e mar azul
Nas redondezas
- Quem quiser explorar as redondezas da cidade pode pegar a estrada em direção ao sul e conhecer a deslumbrante Praia do Rosa
- Já quem busca tranquilidade em uma paisagem paradisíaca pode ir em direção ao norte e desfrutar da Praia da Gamboa – e, um pouco mais além, Guarda do Embaú e Pinheira
- Quem quiser dar um tempo na água salgada pode curtir um dia nas cachoeiras do Macacu ou do Siriú, refúgios cercados por mata preservada

