Foi eterno enquanto durou. Tão rápido quanto tomou conta das redes sociais, dos paladares e das confeitarias no inverno passado, neste Dia dos Namorados o morango do amor já virou uma paixão do passado.
Porém, não há corações partidos. Confeitarias visitadas por Zero Hora reconhecem que este é um ramo cujos modismos são bem-vindos para elevar os lucros, mas é preciso agir rápido para detectar tendências e oferecê-las no cardápio.
Para esquecer os morangos em calda, já surgiram opções mais 2026, como o bolo-pudim e, principalmente, os festivais de fatias de torta.
Vida e morte

Tendo como ingrediente principal o morango, envolto por brigadeiro branco e calda de açúcar, o agora ex-queridinho do público sumiu dos pontos de venda.
No auge da popularidade, da metade para o final de julho do ano de 2025, a demanda fez disparar o preço da fruta na Ceasa em Porto Alegre, tomou conta das prateleiras e aplicativos de delivery e chegou a desfilar como a grande estrela no olimpo gaúcho dos doces — a Feira Nacional do Doce (Fenadoce) de Pelotas.
Hoje, quase não se encontra o morango do amor nas confeitarias. O quitute ainda é comercializado em algumas, mas só sob encomenda.
Zero Hora visitou quatro estabelecimentos tradicionais em Porto Alegre. Nenhum tinha o doce à pronta-entrega. O sumiço é tanto que um dos estabelecimentos se ofereceu para fazer alguns apenas para ilustrar as fotos desta reportagem.
Gostinho de Copa do Mundo
A Doceria Chique (Rua Santana, 966, no bairro Farroupilha) aposta em doces temáticos, como bolo caseiro de chocolate, minibolo e caixas com 12 unidades de docinhos. Detalhe: tudo preparado com as cores do Brasil. E tem até de Portugal e Alemanha, além dos demais países participantes da Copa do Mundo.
— O pessoal praticamente nem pede mais o morango do amor. Tem uma (cliente) em mil que ainda pede pelo WhatsApp. Não tem mais procura — assegura a proprietária do ponto, Amanda Galuschka.
No local, é possível ver a decoração com tema de festa junina e itens como bolos de milho e de churros. Os "modismos" são momentos importantes para quem trabalha com gastronomia de doces, diz Amanda.
Tentamos surfar as ondas. Quem é empreendedor mata um leão todo dia. Vemos as possibilidades e a viabilidade
AMANDA GALUSCHKA
da Doceria Chique
Neste momento, segundo atesta Amanda, as atenções dos clientes estão voltadas para as diferentes fatias de tortas, independentemente do sabor.
— O pessoal acaba tendo mais opções e escolhe o preferido.
Matilda Cake e bolo-pudim em alta
Na PH Delícias Doces (Rua Múcio Teixeira, 119, no Menino Deus), a decoração da Festa de São João já ocupa o espaço. Dezessete sabores de bolos são oferecidos, como paçoca, milho, aipim e coco, e até moranga, em tamanhos variados.
— O auge do morango do amor durou um mês. Este ano teve uma tentativa de volta, mas não chegou no hype que tinha — compartilha a proprietária Cristiane Ricordi.
No estabelecimento estão em alta as fatias de torta que são comercializadas em loja. As tendências da internet são seguidas pela confeitaria. E Cristiane conta o que tem mais procura.
— A Matilda Cake (inspirada no filme Matilda, de 1996) veio com tudo. É um bolo bem chocolatudo, com bolo, recheio e cobertura de chocolate. Em segundo, o bolo-pudim — elenca.
"O bom é estar sempre inventando"
O empresário Maikon Daltoe, proprietário da Padaria e Confeitaria Roma (Rua dos Andradas, 797, no Centro Histórico), menciona que o morango do amor foi uma febre de curta duração no tradicional ponto situado nas imediações da Casa de Cultura Mario Quintana.
Conforme Daltoe, os doces bastante badalados e conhecidos, como quindim, mil-folhas e fatias de tortas tradicionais, nunca deixaram de ser procurados pelos clientes.
— E a onda do momento, pelo menos aqui para mim, é a torta de pudim — divide.
Em relação aos modismos no mundo dos doces, o empresário comenta que há necessidade de se reinventar constantemente:
— Surgiu uma coisa nova, a gente busca, vai atrás e faz acontecer. A torta de pudim, nós não tínhamos uma especialidade. Fazemos duas, três vezes, até dar certo.
Surgiu uma coisa nova, a gente busca, vai atrás e faz acontecer. A torta de pudim, nós não tínhamos uma especialidade. Fazemos duas, três vezes, até dar certo.
MAIKON DALTOE
da Padaria e Confeitaria Roma
Na Padaria e Confeitaria Roma são comercializadas pelo menos duas tortas inteiras por dia. Porém, aos finais de semana, esse número aumenta. O perfil de público mistura clientes jovens com outros mais tradicionais.
— O bom é estar sempre inventando nessa questão das tortas. A torta de Nutella, por exemplo, é uma coisa que foi uma novidade, mas veio para ficar. É bem legal essa transformação — fala.
Festivais de fatias de tortas atraem clientes
A Grife dos Doces (Rua General Lima e Silva, 1.591, na Azenha) costuma promover, de forma periódica, festivais de fatias de torta. No próximo dia 20, a proposta terá como tema os países participantes da Copa do Mundo.
— Depois que veio a febre do morango do amor, ele ficou em torno de dois meses no mercado. As pessoas querendo participar do hype, mas depois passou. Achamos melhor pausar a produção — explica a proprietária Nicolli Santanna.
— De janeiro até agora, pontualmente, poucas pessoas nos perguntavam se ainda tínhamos — acrescenta.
Atualmente, o que mais sai são fatias de tortas:
A gente fez festivais e vai fazer de novo. Colocamos as fatias no delivery, então é o que mais tem saído agora
NICOLLI SANTANNA
da Grife dos Doces
A Grife dos Doces conta com uma equipe de marketing atenta aos modismos e principais tendências do momento.
— As tendências nos trazem uma rentabilidade maior e melhor. Então, é tudo pensado, calculado. Estamos por dentro das tendências, hypes, trends e participamos de tudo o que podemos — ensina.



