
O jornalista americano William Jeffrey, criador do canal Diacho de Gringo e ex-âncora de televisão nos Estados Unidos, foi um dos convidados do programa Timeline, da Rádio Gaúcha, nesta quarta-feira (6), transmitido ao vivo da Gramado Summit, em Gramado.
Com bom humor e encantamento genuíno pela cultura brasileira, Jeffrey falou sobre as diferenças entre os dois países — dos hábitos de higiene à afetividade — e revelou suas palavras favoritas em português.
Mais tarde, Jeffrey palestraria justamente sobre isso. Sua fala no Gramado Summit teve como tema "Choque de culturas: o que acontece quando um norte-americano reinventa a vida no Brasil".
O estrangeiro encantado
Embora seja um jornalista consagrado, vencedor de 13 prêmios Emmys e ex-âncora de TV, Jeffrey virou fenômeno nas redes sociais ao olhar para o cotidiano brasileiro com olhos de quem ainda se surpreende com o que os brasileiros já tomam como natural. O canal nasceu justamente dessa observação da cultura local, que virou conteúdo.
A obsessão brasileira com higiene
Um dos temas que mais fascina Jeffrey é a relação dos brasileiros com a higiene. Para ele, não se trata apenas da higiene bucal, é a quantidade de banhos que impressiona:
— Fico impressionado que aqui as pessoas tomam aproximadamente 14 banhos por semana. Lá nos Estados Unidos, se muito, são oito — disse.
Jeffrey também contou que raramente via alguém escovando os dentes em banheiro de restaurante nos Estados Unidos — algo corriqueiro no Brasil. A apresentadora Kelly Matos entrou na conversa e revelou que, em viagem no dia anterior, escovou os dentes dentro do próprio carro. Jeffrey ficou genuinamente curioso sobre como isso é possível.
"Fica com Deus": a gentileza que não existe lá
Outro hábito brasileiro que chamou a atenção de Jeffrey foi o costume de se despedir com 'fica com Deus' — mesmo de pessoas desconhecidas. Ele chegou a fazer um vídeo sobre o assunto, comparando com a despedida americana:
— É muito diferente. Aqui as pessoas dizem "vá com Deus". Nos Estados Unidos, o jeito de dizer que alguém pode ir embora é bem mais seco, é tipo "dê o fora daqui" — comparou.
Para Jeffrey, essa gentileza brasileira é uma das coisas que mais o surpreendem e encantam na cultura local.
O que ele ama no Brasil
Quando perguntado sobre o que mais ama no Brasil, Jeffrey foi direto, e reconheceu que a resposta pode soar como clichê:
— Eu sei que é um clichê para um gringo dizer que os brasileiros são bonitos e gentis. Mas estou lhe dizendo: é um clichê porque é verdade. Na América do Norte, as pessoas mantêm distância. Eu não vou chegar mais perto de você. Mas aqui todo mundo se abraça, todo mundo se beija — afirmou.
Em seu perfil no Instagram, Jeffrey fez um vídeo sobre o estranho e carinhoso hábito brasileiro de abraçar todo mundo.
Ele também elogiou a paciência dos brasileiros com estrangeiros que ainda estão aprendendo o idioma. Segundo Jeffrey, quando diz "obrigado", as pessoas ficam encantadas — algo impensável nos Estados Unidos, onde quem não fala inglês costuma ouvir um seco "speak English".
"Pipoca" e "xexelento"
Para encerrar, Jeffrey revelou suas palavras favoritas em português. A primeira foi "xexelento", que ele adorou pela sonoridade. A segunda foi "pipoca":
— A gente chama de popcorn. Mas "pipoca" parece o que a palavra significa. É muito mais bonito — disse, arrancando risadas.
*Produção: Juliano Lannes



