
A rainha de bateria Bianca Monteiro voltou a cruzar a Marquês de Sapucaí na madrugada desta segunda-feira (16) como um dos destaques do desfile da Portela. Na avenida, ela apresentou uma fantasia que evocava a ancestralidade.
Com o tema O mistério do Príncipe Bará: a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande, a agremiação azul e branco levou para a avenida a história do Príncipe Custódio.
Africano que chegou a Porto Alegre no século 19, ele se tornou uma referência religiosa, cultural e política para a população negra da capital gaúcha.
Quem é Bianca Monteiro
"Cria" de Madureira e formada no chão da Portela, Bianca Monteiro assumiu o posto de rainha de bateria da agremiação em 2017.
Da estreia como passista ainda adolescente à atuação em projetos culturais e de formação, ela alia presença marcante na avenida ao trabalho de preservação das tradições portelenses dentro e fora do Carnaval.
Além da atuação na Marquês de Sapucaí, Bianca se dedica a iniciativas culturais ligadas à agremiação. Aos 37 anos, é fundadora da Oficina Paulo da Portela, voltada à valorização da cultura do samba no bairro, e diretora cultural do Filhos da Águia, escola de samba mirim criada em 2001 para formar novos ritmistas e sambistas.
Nas redes sociais, onde reúne quase 170 mil seguidores, compartilha bastidores dos ensaios técnicos e compromissos como rainha de bateria.
Frequentemente, é exaltada por admiradores pelo "samba no pé", pelo estilo considerado raiz e pela fidelidade à agremiação azul e branco ao longo dos anos.
Neste ano, a fantasia usada por Bianca representou a ancestralidade e a força dos antepassados, além da conexão com a raiz e a resistência cultural.
"A Rainha de bateria encarna o espírito africano ancestral, força viva que atravessa oceanos e une nações em um só corpo. Em seu gesto e ritmo, convoca a memória, a resistência e a ancestralidade em movimento", escreveu ela em um post compartilhado no Instagram.
Bianca falou com a reportagem da Globo na concentração da escola, pouco antes de cruzar a Sapucaí, e projetou que a fantasia tenha custado em torno de R$ 15 a R$ 20 mil reais.
Ela ainda destacou os aprendizados no posto de rainha de bateria:
— A rainha é a mensageira da escola. Eu não falo só por mim, eu falo por uma nação que é a Portela.
Como foi o desfile da Portela
O desfile começou com atraso, às 2h16min, e terminou às 3h35min, com duração de 79 minutos — apenas um minuto antes do máximo permitido.
A demora para entrar na avenida foi causada por problemas anteriores: a Acadêmicos de Niterói, primeira escola da noite, teve dificuldades na dispersão, o que acabou comprometendo o restante da programação.
A escola levou 24 alas, cinco carros e três tripés à Marquês da Sapucaí. O desfile também apresentou referências importantes da capital gaúcha, como o Mercado Público e o Palácio Piratini. Além de referências do bairro Cidade Baixa.

