
A Liga das Escolas de Samba de São Paulo realizou nesta segunda-feira (16) o sorteio da ordem de leitura dos quesitos da apuração das notas do Grupo Especial.
Evolução será o primeiro quesito a ser lido e Fantasia o critério de desempate para definir campeãs e rebaixadas.
Confira abaixo a ordem completa da leitura dos nove quesitos:
- Evolução
- Samba-enredo
- Bateria
- Enredo
- Mestre-sala e Porta-bandeira
- Alegoria
- Comissão de frente
- Harmonia
- Fantasia
A apuração dos desfiles acontece na terça-feira (17), às 16h, no Sambódromo do Anhembi. A transmissão ocorre apenas para o Estado de São Paulo pela TV Globo.
Na primeira noite, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé e Vai-Vai se destacaram, enquanto Rosas de Ouro, Barroca Zona Sul, Colorado do Brás e Mocidade Unida da Mooca também passaram pelo Anhembi.
Já na segunda noite, Mocidade Alegre, Gaviões da Fiel e Império de Casa Verde figuraram entre as favoritas do público.
Veja uma síntese dos desfiles
Mocidade Unida da Mooca
Em sua estreia no Grupo Especial, a Mocidade Unida da Mooca abriu a primeira noite de desfiles em São Paulo com homenagem ao Geledés – Instituto da Mulher Negra, exaltando a trajetória e a força das mulheres negras. O enredo percorreu da mística iorubá à celebração de figuras históricas, com participações de Sueli Carneiro, Nilza Araci, Conceição Evaristo e Erika Hilton.
Um dos momentos mais marcantes foi a "paradona" da bateria em saudação ao público, com integrantes ajoelhados e punhos erguidos; apesar de acelerar o ritmo depois, a escola encerrou dentro do tempo regulamentar.
Colorado do Brás
A Colorado do Brás foi a segunda escola a desfilar e levou um clima de bruxaria para a sexta-feira 13 com o enredo A Bruxa Está Solta! Senhoras do Saber Renascem na Colorado, marcando seu segundo ano desde o retorno ao Grupo Especial. A agremiação reuniu figuras como bruxas, caldeirões, "fogueiras", corujas e curandeiras indígenas, começando em tom sombrio e evoluindo para uma estética mais leve e colorida.
O público vibrou especialmente com o carro A Convenção das Bruxas, que trouxe personagens da cultura pop como Úrsula, interpretada também pela atriz Fabi Bang como Glinda do musical Wicked, além da Bruxa do 71 e da Cuca.
Dragões da Real
A Dragões da Real levou um tema indígena ao Anhembi, com um enredo inspirado na Amazônia e na força das guerreiras Icamiabas, mantendo a busca por seu inédito título após três vice-campeonatos.
O impacto começou no abre-alas, com o maior dragão já construído pela escola, de nove metros, seguido por fantasias coloridas e iluminadas com efeitos especiais. Madrinha de bateria, Lexa chamou atenção ao desfilar com iluminação verde nas mãos. O desfile trouxe grandes alegorias da floresta e suas entidades, encerrando com uma onça gigante que se abria para revelar o rosto de uma mulher – efeito que teve falha parcial, mas ainda impressionou o público.
Acadêmicos do Tatuapé
Vice-campeã em 2025, a Acadêmicos do Tatuapé apresentou um enredo sobre a agricultura e as lutas sociais pela terra, iniciando o desfile com a simbologia da semente e a riqueza da fauna e flora brasileiras em um abre-alas de cores vivas.
A narrativa avançou para os conflitos fundiários, com alas que lembravam Canudos e a reforma agrária, além de críticas ao desmatamento e às pragas que ameaçavam o campo. Com fantasias vibrantes e bateria de destaque, a escola encerrou celebrando o agricultor e a vida rural, em homenagem ao torcedor Thiago Arakaki, falecido em 2025 após doar seus órgãos.
Rosas de Ouro
A Rosas de Ouro, campeã de 2025, desfilou com 0,5 ponto de penalização por atraso na entrega de documentos e ainda precisou esperar mais de meia hora para entrar na avenida após limpeza da pista por vazamento de óleo.
Com o enredo Escrito nas Estrelas, a escola abordou a relação das civilizações antigas com a astrologia, representando o zodíaco – mesmo com a ausência de um integrante na comissão de frente após um mal-estar. Apesar dos contratempos, apresentou um desfile visualmente forte, com fantasias e alegorias iluminadas, além das participações de Márcia Sensitiva e uma homenagem ao astrólogo Walter Mercado.
Vai-Vai
O Vai-Vai apresentou o enredo A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia, homenageando a Companhia Cinematográfica Vera Cruz e a cidade de São Bernardo do Campo.
O desfile, já ao amanhecer, celebrou o cinema logo na abertura e retratou a industrialização local, com referências às montadoras, aos operários e às lutas sindicais, encerrando com uma alegoria dedicada à paisagem do município.
Barroca Zona Sul
Última a entrar na avenida no primeiro dia, a Barroca Zona Sul homenageou Oxum com um desfile marcado por espiritualidade e referências às águas doces, símbolo de fertilidade, amor e beleza.
Após escapar do rebaixamento em 2025, a escola apostou em um visual impactante para se reafirmar no Grupo Especial, com fantasias douradas, tecidos fluidos e elementos aquáticos que reforçaram o clima de celebração e axé ao longo da apresentação.
Império de Casa Verde
A Império de Casa Verde abriu o segundo dia de desfiles com um enredo sobre as joias afro-brasileiras, exaltando o empoderamento feminino e a história das escravizadas de ganho e seus balangandãs como símbolos de resistência.
Com abre-alas dourado e alegorias grandiosas, a escola destacou o sincretismo religioso e figuras de rainhas africanas, chamando atenção pelo luxo e pelas fantasias ricas e brilhantes.
Águia de Ouro
A Águia de Ouro foi a segunda a desfilar e levou o público a Amsterdam com o enredo Mokum Amesterdã: o voo da Águia à cidade libertária, recriando casinhas, moinhos e tulipas na avenida.
O desfile homenageou personalidades como Anne Frank, Vincent van Gogh e Piet Mondrian, abordou temas de liberdade e diversidade e ainda divertiu com alegorias bem-humoradas. Foi a apresentação mais rápida do grupo, com 58 minutos.
Mocidade Alegre
A Mocidade Alegre homenageou a atriz Léa Garcia, que faleceu em 2023, com o enredo Malunga Léa - Rapsódia de uma Deusa Negra, abrindo o desfile com a comissão de frente que trouxe Thelma Assis no papel da artista e Fred Nicácio como Abdias Nascimento.
Com forte referência à ancestralidade africana, a escola apresentou alegorias grandiosas e encerrou sob pressão do tempo, acelerando a evolução para concluir dentro do limite, após um desfile marcado por religiosidade e pela presença simbólica de Iemanjá.
Gaviões da Fiel
A Gaviões da Fiel levou ao Anhembi um enredo sobre povos originários e preservação das florestas, com alegorias monumentais e estética propositalmente sem o verde, simbolizando a natureza em transe.
O destaque foi o maior carro do Carnaval paulistano, com 72 metros, retratando um sonho de harmonia entre humanos, animais e plantas. O desfile também homenageou lideranças como Sônia Guajajara e Raoni Metuktire, encerrando com a imagem do Cristo Redentor usando cocar em um Brasil simbolicamente "indigenizado".
Estrela do Terceiro Milênio
Em seu terceiro ano no Grupo Especial, a Estrela do Terceiro Milênio homenageou o compositor Paulo César Pinheiro, destacando parcerias e referências marcantes de sua trajetória. O desfile celebrou nomes como Baden Powell, Clara Nunes e Dona Ivone Lara, além de reverenciar a Estação Primeira de Mangueira e a literatura. Destaque para o carro Canto das Três Raças, que trouxe mensagem de justiça social em alegoria monocromática.
Tom Maior
De volta ao Grupo Especial, a Tom Maior levou ao Anhembi a história de Chico Xavier e da cidade de Uberaba, revisitando lendas, desenvolvimento urbano e tradições religiosas do município.
O desfile teve abre-alas grandioso em tom turquesa, referência às águas locais, além de alegorias sobre diferentes influências culturais. A homenagem ao médium encerrou a apresentação, com carro temático que perfumou a avenida com cheiro de rosas.
Camisa Verde e Branco
Última a desfilar, a Camisa Verde e Branco apresentou enredo sobre as manifestações de Exu, celebrando o orixá como guardião dos caminhos e da comunicação.
Com bateria marcante e alegorias cheias de búzios e plumas, a escola levou à avenida figuras como Maria Padilha e Zé Pelintra. Já sob pressão do tempo, teve o último carro parado e empurrado, o que fez o desfile ultrapassar o limite, fechando com 66 minutos.


