
Depois de uma tarde de instabilidade, o último dia do Carnaval de Rua de Porto Alegre movimenta a Orla do Guaíba nesta terça-feira (17). A chuva que marcou o início da programação afastou parte do público nas primeiras horas, mas não impediu a realização do Circuito Orla.
O trajeto vai da Rótula das Cuias até a Usina do Gasômetro. Embora o público ainda não repita a multidão vista na segunda-feira (16), na Cidade Baixa, a Orla começou a ganhar volume a partir das 18h, quando a chuva deu trégua. Os primeiros a se apresentarem no local foram a Cia do Trago e o bloco B Loukos.
Entre os foliões, um grupo de amigos chamava atenção pelas fantasias com faixas cruzadas no peito, inspiradas em concursos de beleza, mas com trocadilhos bem-humorados. A atriz e professora Marina Greve, 27 anos, explica a proposta:
— A gente queria vir de miss, só que cada um é uma miss diferente. A ideia era trazer palavras que começassem com “Miss” e terminassem com algo divertido. Então tem “Misseparei”, “Missegura”, “Misstrecei”, “Missquece”, “Missteriosa” e “Missabotei”. Tem a ver com a nossa personalidade, com os nossos momentos de vida.
O grupo, formado ainda por Laura Garrido, 26, atriz; Mariana Fernandes, 29, livreira e atriz; Gabriel Brochier, 29, ator; Renata Daneluz, 33, atriz; e Henrique Strieder, 26, iluminador e realizador audiovisual, quase desistiu do bloco ao ver a chuva começar a cair no início da tarde.
— A gente ficou na dúvida, não sabíamos se teria Carnaval ou não. Mas resolvemos vir mesmo assim e foi a melhor decisão. Estamos nos divertindo bastante — conta Laura.
A estudante de psicologia e professora aposentada Adriana Dias, 53 anos, também encarou a instabilidade do tempo e não se arrependeu:
— Acho que a gente está precisando de alegria, e esse momento é a celebração da alegria. Porto Alegre precisa muito disso.
Ela conta que participou também do circuito na Cidade Baixa, na segunda, e que este é seu primeiro carnaval de rua na Capital.
— Sou daqui, mas nunca tinha participado. Esse ano resolvi aproveitar e estou amando a experiência.
Entre os presentes estava ainda o bloco Amigos do Mano Délcio, do bairro Partenon. Integrante do grupo, a merendeira Marilucia Mesquita, 61 anos, é exemplo de que a festa de momo atravessa gerações.
— Eu comecei no carnaval com oito meses. Meu pai e minha mãe adoravam carnaval, me levavam desde pequena. Como é que eu não vou gostar? A vida inteira fui carnavalesca — lembra.
Marilucia estava na praia, mas voltou a Porto Alegre após a morte da madrinha. Depois da missa, decidiu ir direto para o bloco como uma forma de homenagem à ente querida, que também era carnavalesca.
— A gente tem que sair para se divertir, ficar só em casa não dá. A vida passa, as contas estão aí todo mês para serem pagas, mas a gente tem que se divertir. Não dá para ficar só pensando na vida.
Com o tempo firmando de vez, no início da noite milhares de pessoas dão continuidade à festa, que segue à margem do Guaíba com as apresentações dos blocos Afro-Tchê e Panteras do Samba.
O evento marca o encerramento do Carnaval de Rua de Porto Alegre. Já o Carnaval das escolas de samba, no Complexo Cultural do Porto Seco, ocorre nos dias 27 e 28 de fevereiro.


